EU SOU CUBA

Título Original: Yo Soy Cuba - Rússia- 1964

Diretor: Mikhail Kalatozov

Sinopse:

A mais espetacular descoberta cinematográfica da década. Filmado pelo grande e premiado diretor russo Mikhail Kalatozov (Quando Voam as Cegonhas - 1957), EU SOU CUBA é um poema visual do Comunismo Kitsch, mostrando a opressão do povo cubano, em plena revolução dos anos 60. Kalatozov mostrou com sua câmera acrobática, em grande angular, imagens facinantes de Cuba, com vários planos-sequênciais sem corte, lembrado em vários momentos o virtuosismo estilístico de Orson Welles. Depois de assistir EU SOU CUBA você mudará suas referências cinematográficas para sempre.


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EXTRAS CÓDIGO REGIONAL
Biografia e Filmografia de Mikhail Kalatozov;
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ÁUDIO  
Espanhol, Russo  
LEGENDAS GÊNERO
Inglês, Português e Espanhol. Classico
ANO DE PRODUÇÃO ESTÚDIO
1964 CONTINENTAL
DURAÇÃO DATA LANÇAMENTO
140 minutos 15/07/2001

DOCUMENTÁRIO: Soy Cuba, O Mamute Siberiano

Sinopse
No início dos anos de 1960, o famoso diretor soviético Mikhail Kalatozov, junto com uma equipe de 200 pessoas, filmou em Cuba a superprodução Soy Cuba. Este filme, que pretendia ser uma poderosa arma de propaganda para divulgar a revolução cubana, foi ignorado após sua estréia em Havana e Moscou e ficou desconhecido pelo público no Ocidente até sua redescoberta nos anos de 1990 por Martin Scorsese e Francis Ford Coppola. O documentário revela um momento chave na história do cinema através dos depoimentos dos atores e técnicos sobreviventes, e mostra o insólito contraste entre o brilho da alma eslava e os claros-escuros da cultura afro-cubana. Melhor documentário no Festival de Gramado de 2005 e no Festival de Guadalajara de 2005.
Informações Técnicas
Título no Brasil:  Soy Cuba, O Mamute Siberiano
Título Original:  Soy Cuba, O Mamute Siberiano / I am Cuba, the Siberian Mammoth
País de Origem:  Brasil
Gênero:  Documentário
Tempo de Duração:  90 minutos
Ano de Lançamento:  2004
Estréia no Brasil: 13/01/2006
Site Oficial: 
Estúdio/Distrib.:  Imovision
Direção:  Vicente Ferraz
Elenco:
Luz María Collazo
Sergio Corrieri
Alfredo Guevara
Aleksandr Kaltsatyj
Enrique Pineda Barnet
Salvador Wood
Imagens do Filme:

 

Comentários sobre o Documentário "O Mamute Siberiano"

 

É o primeiro filme documentário do jovem diretor brasileiro Vicente Ferraz, ex-aluno da EICTV - Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba e foi premiado no Brasil como melhor documentário no Festival de Gramado de 2005, melhor roteiro no Festival Cinema de Pernambuco e atração em festivais no México, no Peru e no Festival de Sundance.
O filme Soy Cuba - O Mamute Siberiano, do diretor Vicente Ferraz, é um filme documentário, uma experiência de metalinguagem cinematográfica: um filme sobre um filme. Nesse sentido, Ferraz se empenhou em rastrear o percurso da experiência cinematográfica do filme Soy Cuba (1964), primeira co-produção cinematográfica entre Cuba e Moscou, dirigida pelo veterano diretor russo Mikhail Kalatozov (1903-1973) e o lendário diretor de fotografia Sergei Urusevsky (1908-1974).
Pouco antes de Ferraz iniciar seu filme, em 2004, os cineastas norte-americanos Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, descobriram o filme Soy Cuba (1964), numa retrospectiva do diretor russo Mikail Kalatosov nos Estados Unidos. Eles patrocinaram o projeto de restauração e relançamento mundial em cinema e em Home Vídeo do filme "Soy Cuba". No Brasil, o filme foi lançado por dois selos diferentes.
A realização do filme Soy Cuba (1964), fazia parte de um projeto de propaganda da Revolução Cubana, cerca de 200 pessoas trabalharam no projeto, incluindo soviéticos e cubanos, um dos escopos do filme era responder a política da guerra fria implementada pelos EUA. Soy Cuba (1964), é considerado, hoje, uma das mais experiências importantes da história do cinema, porém, quando de seu lançamento, foi um fracasso de público e de crítica nos dois países, foi considerado estetizante, experiência malograda em construir os ideais revolucionários e a cultura do povo cubano. O filme foi esquecido por 30 anos em latas de rolos no ICAIC- Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos.
O filme
Soy Cuba - O Mamute Siberiano, tem uma estrutura narrativa híbrida, mistura de imagens dos bastidores das filmagens do filme Soy Cuba, depoimentos de profissionais cubanos e russos envolvidos na produção, reportagens sobre acontecimentos do cotidiano cubano nos anos 58 e 59, reportagens sobre visitantes ilustres do mundo do cinema, da filosofia e da ciência na ilha de Cuba, durante esse período, cenas de filmes latino-americanos, incluindo entre os brasileiros Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e inúmeras seqüências do filme Soy Cuba (1964). Esta estratégia tinha a finalidade de desvendar o mistério de como imagens fantásticas foram executadas tecnicamente, isto é uma tentativa de apreensão do extraordinário, aos poucos o diretor muda de direçao e seu filme cede lugar a um outro mistério, um mistério ordinário: como as pessoas que trabalharam na produção do filme se lembravam desta experiência, uma proposta de criação de memória.
O filme
Soy Cuba - O Mamute Siberiano, vai adquirindo maior complexidade narrativa com a presença de um narrador delegado, que é próprio diretor, narrando em off e nos propondo a cumplicidade de seguirmos sua viagem de documentarista, nas passagens observacionais através das entrevistas das várias épocas e nas imagens de arquivo. Logo no início do filme, A câmera de Sergei Urusevsky acompanha do alto do vão entre dois prédios um velório na rua. A câmera entra por uma varanda, atravessa uma sala onde pessoas trabalham enrolando charuto, sai por outra janela, novamente na rua, seguindo do alto, rasante a procissão. Este plano seqüência de Soy Cuba é instante privilegiado da história do cinema, a câmera foi acoplada por meio de um ímã a um pequeno teleférico instalado na parte superior dos prédios, dando a sensação de que está "voando" sobre o cortejo fúnebre.
O objeto fílmico Soy Cuba (1964), é usado no filme de Ferraz com a função de signo. Um objeto transformado em signo: imagem-tempo. Imagem não abstrata do tempo, fazendo-nos ver o oculto do tempo, diferenciação dos presentes que passam e dos passados que se conservam. O tempo do filme
Soy Cuba - O Mamute Siberiano, faz passar o presente conservando em si o passado, imagens-tempo possíveis, fundadas no passado e no presente, ambas complexas.
Ao percebermos as imagens do passado onde elas estavam presentes, os entrevistados se lembram de como elas se passaram no tempo e nós espectadores ricocheteamos no passado e no presente, como viajantes do tempo e saímos de nós mesmos.
A memória não está apenas no filme Soy Cuba, nem no filme
Soy Cuba - O Mamute Siberiano, nem em nós mesmos. Somos nós que movemos uma memória, uma memória–filme, uma memória-cinema, uma memória–Cuba, uma memória-mundo. O presente não existe a não ser colado a um passado contraído se manifestando na coexistência de círculos mais ou menos dilatados contendo tudo ao mesmo tempo, e o presente é o limite.

Soy Cuba, o mamute siberiano, nos envolve a procurar uma lembrança!
Soy Cuba, o mamute siberiano, é um filme de um cinema do tempo!

Iara Helena Magalhães
Professora e Presquisadora em Cinema
Mestranda em Comunicação Semiótica na PUC/SP
Coordenadora do Curso de Cinema, TV e Mídia Digital/ UNITRI/Uberlândia. MG


Afinal, como eram os revolucionários cubanos?
Documentário de Vicente Ferraz destrincha a visão distorcida que soviéticos difundiram sobre cubanos em filme dos anos 60. Uma aula de cinema e história imperdível para universitários
Por Lilian Burgardt
 
Histórias de uma revolução

No início dos anos 60, o famoso diretor soviético Mikhail Kalatosov, junto com uma equipe de 200 pessoas, desembarcou na ilha de Cuba com uma missão: levar ao conhecimento das mais diversas nações a luta revolucionária dos líderes que acreditavam no socialismo. Nascia o sonho da superprodução Soy Cuba.

Apesar de toda a audácia, o filme, que pretendia ser uma propaganda para divulgar a Revolução Cubana, fracassou logo na estréia, em Havana e em Moscou. O público ficou insatisfeito com a maneira como foi representado pelos soviéticos. Depois disso, seu destino foi o abandono nas prateleiras do ICAIC (Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica) até os anos 90, quando os cineastas norte-americanos Martin Scorsese e Francis Ford Copolla o relançaram, e, desta vez sim, foi aclamado pela crítica.

Afinal, por que Soy Cuba foi considerado um fracasso a princípio e, num segundo momento, um sucesso? Essa questão levou o cineasta carioca Vicente Ferraz a realizar o documentário Soy Cuba - o Mamute Siberiano, no qual entrevistou atores e a equipe técnica que trabalharam no filme, resgatando um momento histórico até então "congelado" no passado: a aproximação entre Cuba e União Soviética.

O documentário vai além de um simples making off. Os testemunhos fantásticos coletados trazem à tona a história de vidas que se entrelaçaram por dois anos - tempo de gravação do filme -, os conflitos vividos por conta da diferença da cultura latina e eslava e os sonhos utópicos de povos que se uniram no passado em prol de um ideal que hoje não existe mais.

O filme é, sem dúvida, uma aula sobre como fazer cinema e, também, um mergulho profundo na Revolução Cubana mostrando como sonhos e desejos podem ter interpretações tão distintas mesmo quando envolvidos pelo mesmo ideal.

 
  Soy Cuba - O Mamute Siberiano

Gênero: Documentário
Direção: Vicente Ferraz
Ano: 2005
Duração: 90 minutos

 

Andando pelos corredores das universidades é comum encontrar os famosos "bichos-grilo" vestindo camisetas vermelhas com a foto de Che Guevara ou discursando sobre os ideais políticos do socialismo e da Revolução. Mesmo que você não faça parte desta "turma", é possível que em algum momento tenha ficado curioso sobre o tema. Para entender mais sobre o assunto, está em cartaz nos cinemas um documentário que, em 90 minutos, é, segundo especialistas, uma verdadeira aula sobre a Revolução Cubana e os ideais do socialismo.

O documentário Soy Cuba - O Mamute Siberiano, do diretor carioca Vicente Ferraz, é um daqueles lançamentos que não podem deixar de ser vistos, especialmente por estudantes. Com riqueza de detalhes, conta a história da Revolução e retrata o momento em que União Soviética decide apoiar Cuba, quando o cineasta soviético Mikail Kalatosov e sua equipe desembarcam na ilha para filmar Soy Cuba, a primeira co-produção cinematográfica entre esses países, com o objetivo de divulgar a Revolução Cubana para o resto do mundo.

Para o coordenador do NACI (Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional) da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Paulo Edgar Resende, o documentário é um material precioso pois resgata este momento de aproximação da União Soviética com Cuba, destacando os altos investimentos feitos pelo governo soviético e desvendando o motivo do fracasso dessa superprodução, durante muito tempo esquecida nos arquivos do ICAIC (Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica). "O grande achado de Ferraz é ele ter descoberto este material no mesmo momento em que os cineastas norte-americanos Martin Scorsese e Francis Ford Coppolla o descobriram e se deslumbraram", revela.

Na opinião do professor da disciplina de Comunicação Comparada da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) Martin Cesar Feijó, outro ponto a favor de seu documentário é que ele não se limita a fazer um making off da super-produção, mas desvenda o porquê de seu desfecho catastrófico colhendo depoimentos de quem participou do filme, fossem atores ou técnicos. "Ferraz conseguiu trazer às telas os conflitos da alma eslava e cubana, sofridos pelos profissionais envolvidos nas filmagens e, que sem dúvida, influenciaram no desfecho do filme. Isso é muito rico", destaca Feijó.

Estes conflitos gerados pelo choque antropológico entre eslavos e latinos é, para os professores, o principal motivo do fracasso do longa-metragem de audiência de Kalatosov. "Os soviéticos tinham aquela visão fria da realidade que de maneira alguma tinha a ver com a visão fundamentada na paixão e na emoção, ou seja, o jeito latino de ser", revela Resende.

Estas divergências de pensamento que o professor se refere podem ser vistas na maneira em que o soviético Kalatosov tenta denunciar e até mesmo recriminar os momentos de alegria e festa da burguesia cubana retratados no filme. Sob suas ótica, condenável, mas para o povo cubano, algo muito comum, já que mesmo em tempos de desespero eles são muito parecidos com os brasileiros: alegres e divertidos. Um povo que consegue rir apesar de todas as mazelas. "A visão puritana marxista leninista incomodava o povo cubano. Isto porque, mesmo em tempos difíceis, o cubano continua comemorando, fumando seu charuto, bebendo seu rum e dançando. Em contrapartida, isto também causava estranheza aos soviéticos", explica Feijó.

Outro fato que denuncia essa diferença de valores é a contradição que os soviéticos, em especial Kalatosov, enxergavam em, por exemplo, uma prostituta usando um crucifixo. "Os cubanos achavam engraçado eles terem essa visão de contradição", revela Feijó. "Em Cuba, e isso também vale para outros países latinos, apesar da prostituição ser uma atividade condenada e até recriminada, as prostitutas têm sua religiosidade e isso não é visto como contradição", acrescenta.

 

Quem não pode perder?

Feijó revela que tanto as técnicas utilizadas por Kalatosov em sua superprodução, quanto a construção do roteiro e a contextualização de histórias elaboradas pelo cineasta carioca, são primorosas. Portanto, acredita ele, a obra não deve deixar de ser vista, especialmente por estudantes do curso de Cinema. "Quem pretende investir nesta área terá de ver o Mamute Siberiano", diz.

Mas não é apenas para futuros cineastas que o documentário é recomendado. Estudantes de Antropologia, Ciências Sociais, Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade também deverão assistir. "Esta obra de Ferraz tem uma dimensão histórica extraordinária, tanto do ponto de vista estético como político", ressalta. "Para quem estuda política e cultura, identificando a maneira que ela influencia na criação de uma obra cinematográfica, certamente eu recomendo", diz. 

Já o professor Resende acrescenta que o documentário deve entrar na lista de filmes a serem vistos pelos estudantes do curso de Relações Internacionais. "Ele retrata questões importantes como o momento do embargo comercial promovido pelos Estados Unidos à Cuba e a fragilidade do discurso democrático norte-americano neste aspecto", encerra.


Depois do mundo, Brasil vê "Soy Cuba"

da Folha Online

O documentário brasileiro "
Soy Cuba - O Mamute Siberiano", de Vicente Ferraz, tem feito sucesso no exterior. O documentário já foi exibido em dez festivais internacionais, entre eles os de Leipzig (Alemanha), Varsóvia (Polônia), e Guadalajara (México) --onde elevou o prêmio de melhor documentário--, entre outros.

A estréia mundial aconteceu em outubro de 2004, no Festival de Documentários de Amsterdã, IDFA. A produção participou ainda, em 2005, da seleção oficial do festival Sundance, e foi mostrada no último festival internacional de cinema de Havana, junto com "Sou Cuba", do cineasta russo Mikhail Kalatozov. Finalmente, o filme estréia nesta sexta (13.01.06) no Brasil.

Fruto de minuciosa pesquisa de Vicente Ferraz sobre "Soy Cuba", filme realizado pelo célebre diretor soviético Mijail Kalatosov em Cuba, em plena Guerra Fria, o documentário desvenda os motivos que levaram cubanos e soviéticos a arquivar esta obra-prima até a sua "descoberta", no início dos anos 90, no Telluride Film Festival (EUA).

A superprodução do início dos anos 60 deveria ser uma peça de propaganda para a revolução cubana. No entanto, uma semana após sua exibição em Moscou e em Cuba, o filme foi retirado de circulação. Em conseqüência, permaneceu desconhecido nos países ocidentais por mais de 30 anos, até a sua descoberta por Martin Scorsese e Francis Ford Coppola.

Filmado em 14 meses e exibido pela primeira vez em 1964, "Sou Cuba" apresenta uma Cuba revolucionária, mas com uma personalidade monumentalmente propagandística e uma imagem idealizada e romântica da realidade da época.

O filme celebra a revolução castrista e apresenta uma Cuba folclórica, com uma visão épica. Só em 1995 o filme saiu da escuridão.

Ferraz diz que, ao saber desta história, surgiu nele o interesse de realizar um documentário que não fosse um "making of", isto é, que não se limitasse a uma apuração de como aconteceu o filme mas também explorasse as causas de seu esquecimento e resgate.

"Quis fazer, através desse filme, uma analogia da história de Cuba dos últimos 40 anos. O lado humano do filme, da experiência de fazê-lo, foi o que mais me chamou a atenção", disse Ferraz.

 

ENTREVISTA:

Cena de Soy Cuba

Como você conheceu o filme Soy Cuba?
Morei em Cuba nos anos 80 e lá tive acesso a uma cópia do filme, que me impressionou muito. Ele estava quase desconhecido mesmo lá. Só eu 2000 fui saber da redescoberta da obra por Martin Scorcesse e Francis Ford Copolla. Fui para Cuba novamente dar aulas na escola de cinema e muitas das pessoas que participaram da produção eram amigos, pessoas que eu conhecia. Resolvi descobrir mais.

Foi frustrante ver que alguns não lembravam de cenas importantes de que tinham participado?
Quando você faz um documentário, tem que jogar com isso. Eles não lembravam mesmo. Daí desisti de fazer um making off de Soy Cuba e contar como um filme desse tinha sido tão esquecido.

E como foi a decisão de usar a narração em off?
Eu estava fazendo um documentário sobre um dos filmes mais virtuosos da história do cinema e eu queria contar essa história. Em um certo momento, admiti que eu também fazia parte dela e deveria fazer em primeira pessoa. Mas, ao mesmo tempo, como diretor, queria estar o mais invisível possível. A edição foi limpa, porque qualquer ruído seria reinventar a roda e competir com o Soy Cuba, que impressiona com o formalismo, a fotografia e a grandiloqüência dos planos.

O filme procura entender o esquecimento de Soy Cuba. Como você vê essa história?
A alma eslava tem toda uma representação dos sentimentos muito diferente do cubano. Tentar fazer um filme soviético sobre Cuba não encaixa. No Brasil, o exemplo clássico foi Orfeu do Carnaval. Apesar do sucesso lá fora, a crítica odiou o filme no Brasil. Até hoje alguns são inconformados com o filme. Eu, que não vivi aquela época, vejo o filme com seus defeitos mas principalmente com muita beleza. É uma certa nostalgia de um tempo que parecia mais inocente. Soy Cuba foi recebido no país quase da mesma forma. Os cubanos estavam criando uma cinematografia própria e de repente vem aquele filme folclorista, idealizado, fazendo uma quase caricatura do que é o homem cubano.


SOY CUBA

      

 - La fiche technique sur le film

 - Le dossier-exposition

 

Soy Cuba

 

Dossier-exposition Soy Cuba

 

Un chef-d’œuvre de Mikhaïl Kalatozov et du génial opérateur Sergueï Ouroussevski

 

Résurrection d’un chef-d’œuvre

 

Soy Cuba, film sur la révolution cubaine réalisé par Mikhaïl Kalatozov, en collaboration avec le poète Evgueni Evtouchenko et le chef-opérateur Sergueï Ouroussevski, fut relégué sur l’étagère dès la première projection à Moscou en 1964. C’est que le film, destiné à servir de film-propagande au nouvel Etat cubain de Fidel Castro, ne répondait ni aux attentes des autorités soviétiques, ni à celles du leader cubain : la sensualité contagieuse des scènes de débauche à l’hôtel Tropicana, rendez-vous des riches américains avant la révolution, détournait la critique du sens politique que le film était censé diffuser. Par ailleurs, le lyrisme et l’idéalisme révolutionnaire des étudiants à La Havane et des rebelles dans la Sierra trahissaient la rigueur idéologique en vigueur. Enfin, interdit aux Etats-Unis pendant la guerre froide, Soy Cuba ne sortit de la clandestinité qu’en 1992 au festival de Telluride (USA). Et c’est en 1993 que Martin Scorsese et Francis Ford Coppola qui le découvrent au festival de San Francisco, décident, éblouis par la beauté des images et la ferveur du ton du film, d’apposer leurs signatures sur l’affiche pour assurer sa diffusion américaine.

 

 

Soy Cuba appartient pourtant à la période heureuse du cinéma soviétique des années 60 : c’est le dégel des années Khroutchev : les cinéastes retrouvent une liberté d’inspiration et de style dont Kalatozov et son chef-opérateur Ouroussevski avaient fait la démonstration éclatante avec Quand passent les cigognes, palme d’or au festival de Cannes en 1958. En 1962, le réalisateur et son chef-opérateur sont invités à tourner à Cuba l’un des trois films de propagande sponsorisés par le jeune Institut cubain de l’Art et de l’Industrie cinématographique (CAIC), oeuvres destinées à la formation de jeunes cinéastes cubains. Cependant, le scénario écrit par le romancier cubain Enrique Pineda Barnet et surtout le poème du poète russe Evgueni Evtouchenko constituent une première difficulté. En effet, ce dernier, envoyé par la Pravda en tant que correspondant à Cuba, se montre, après une période de fascination pour Fidel Castro, beaucoup plus réservé à son égard. Par ailleurs, Evtouchenko, après la publication en 1961 de son poème Babi Yar sur le massacre des juifs, est devenu suspect aux yeux des autorités soviétiques. Néanmoins les crédits sont accordés : le cinéaste et le poète reviennent à Cuba en octobre 1962, le tournage commence en janvier 1963. L’hostilité à l’égard des Russes du peuple cubain, qui impute au régime communiste la misère dont il souffre, aggrave la difficulté de l’entreprise : les artistes décident alors de faire un film non sur le Cuba contemporain, mais sur les débuts de la Révolution. Cependant, le film réalisé s’éloigne beaucoup des critères du film de propagande : « poème épique » selon M. Scorsese, hommage à la terre et à la liberté du peuple cubain plus que célébration du nouveau régime communiste, l’œuvre déplaît. Soy Cuba devra attendre quarante ans pour être salué comme un film génial, précurseur du cinéma contemporain. Martin Scorsese le considère comme une œuvre d’une prodigieuse modernité. « Je pense, dit-il, que si ce film avait été montré en 1964, le cinéma aurait été différent dans le monde entier ».(Entretien de Richard Sickel avec Martin Scorsese, DVD Soy Cuba, mk2).

 

Histoire d’un film maudit

De l’humiliation et de l’esclavage à la fierté et la liberté : Une histoire en quatre récits précédés d’une ouverture. Chacun des récits est consacré à un personnage. 

Séquence d’ouverture : la terre de Cuba

Un long travelling sur le paysage de Cuba: à perte de vue, des palmiers d’une blancheur de neige, une pirogue sur la lagune, qui accoste le long des cabanes sur pilotis où vit une population misérable et laborieuse.


 

Histoire de Maria

Sans transition, la caméra s’envole sur la terrasse de l’hôtel Tropicana, symbole du luxe à l’américaine de la période prérévolutionnaire. Les images suivent les musiciens de l’orchestre et les mannequins aux mouvements onduleux qui se déplacent comme en plein ciel.

Puis la caméra sans qu’on perçoive de changement de plan descend à l’entresol, puis vers la piscine de l’hôtel, plonge avec une baigneuse, accompagne la foule des nageurs sousmarins.
La caméra descend encore, au soussol, dans le night-club où un chanteur noir enveloppe de sa voix sensuelle la clientèle américaine venue boire et jouir des prostituées cubaines.

En contraste, une scène de rue : un jeune Cubain vend des fruits. Il est en compagnie de sa fiancée, Maria, à qui il promet un mariage en robe blanche.

Retour au night-club: Maria apparaît, sophistiquée. Elle se prostitue sous le nom de Betty, à l’insu de son ami. Son visage exprime la souffrance de l’humiliation à laquelle elle est contrainte.

Raccompagnée chez elle par son client qui veut voir comment vivent les pauvres, elle manifeste en silence son désespoir. Au matin, son fiancé la surprend en compagnie de l’Américain. (On sait que le rôle fut joué par Jean Bouise, dont c'était le premier film et qui fut engagé

 

parce qu’il se trouvaità Cuba par hasard au moment du tournage).

Celui-ci s’en va avec désinvolture: il se perd dans la labyrinthe du bidonville, poursuivi par le regard des enfants et des vieillards. Il a peur.


 

Histoire de Pedro

Un paysan, veuf, père de deux grands enfants, pour qui il travaille sans relâche, harcelé par la peur de ne plus pouvoir les nourrir. Il cultive la canne à sucre sur des terres qu’il loue, en priant le ciel de favoriser la récolte.

Une pluie d’orage abondante exauce ses prières: la canne à sucre est magnifique, l’homme fauche avec ardeur. Survient à cheval le propriétaire du champ: il vient de vendre ses terres à l’United Fruit.

Le paysan doit renoncer à sa moisson et à sa maison. Il met le feu à ses misérables biens et meurt.

 

Histoire d’Enrique

Un premier plan montre une réception présidentielle somptueuse: le dictateur Batista apparaît au milieu de ses invités. Dehors, des incidents, des tirs. Gros plan sur une agression nocturne: des marins américains ivres cernent une jeune Cubaine. Un étudiant, Enrique, la protège.

Il rejoint à l’université ses amis, des militants castristes. Enrique se charge de tuer le chef de la police qui multiplie les assassinats d’étudiants. D’une terrasse, armé d’un fusil à lunette, il vise l’homme à travers les fenêtres de sa maison: celuici est entouré de ses deux enfants. Enrique laisse tomber son arme, dévale l’immense labyrinthe de béton au sommet duquel il s’était embusqué. Puis une émeute se produit à la suite de l’arrestation des amis d’Enrique dans leur imprimerie clandestine. Le chef de la police tire froidement sur l’un d’eux.

Il rejoint à l’université ses amis, des militants castristes. Enrique se charge de tuer le chef de la police qui multiplie les assassinats d’étudiants. D’une terrasse, armé d’un fusil à lunette, il vise l’homme à travers les fenêtres de sa maison: celuici est entouré de ses deux enfants. Enrique laisse tomber son arme, dévale l’immense labyrinthe de béton au sommet duquel il s’était embusqué. Puis une émeute se produit à la suite de l’arrestation des amis d’Enrique dans leur imprimerie clandestine. Le chef de la police tire froidement sur l’un d’eux.

Enrique appelle à la rébellion, et prend la tête de la manifestation. Le chef de la police tire une nouvelle fois sur l’un de ses camarades. Enrique marche alors sur l’ennemi qu’il a épargné quelques heures auparavant: il est tué. Toute la ville accompagne son corps  recouvert du drapeau révolutionnaire.

Histoire de Mariano

Un premier plan montre l’arrestation d’un groupe de guerilleros. A la question: « Où est Fidel ? », chacun répond: « Je suis Fidel », (En citant ainsi Spartacus de Kubrik, Kalatozov rend hommage au réalisateur et à son combat pour la liberté d'expression. Puis la caméra montre, dans la montagne désertique, une famille paysanne misérable. Un guerillero épuisé apparaît: le paysan le nourrit, mais le chasse lorsqu’ il tente de l’associer à la lutte.
Cependant, une attaque aérienne oblige la famille à fuir éperdument: un enfant est tué. Mariano rejoint les révolutionnaires. Le dernier plan est une scène d’enthousiasme révolutionnaire. Les rebelles marchent et chantent, innombrables et invincibles.

 

Un film presque muet

Soy Cuba est un chef-d’œuvre du langage cinématographique. Les dialogues sont presque inexistants: ils se réduisent à quelques échanges stéréotypés qui soulignent les relations conventionnelles et lourdes de conflit entre les interlocuteurs antagonistes, ou la solidarité des révolutionnaires dans la lutte contre la dictature. Le pouvoir d’envoûtement du film naît des images à l’intérieur des plans et du dialogue qu’elles instaurent entre elles, de séquence à séquence. La voix off qui dit le poème d’Evtouchenko ponctue les scènes comme une longue méditation. Martin Scorsese a observé l’incroyable nouveauté du langage cinématographique choisi par Kalatozov et Ouroussevski: «On reprend à zéro le langage du cinéma, dit-il, on le réécrit, on le recrée». C’est, selon le cinéaste, la brièveté des récits et l’accumulation des images et des détails fixés par la caméra qui créent l’intensité poétique de l’histoire. «Ces détails sont les visages, le langage des corps».  «Voici, ajoute-t-il, comment l’objectif raconte l’histoire, et voici comment la chorégraphie devant l’objectif crée une histoire».

 

Un poème tragique en noir et blanc

Cuba est le personnage principal du film. Les paysages, immuables de lumière rythment le récit. La voix qui dit le poème cite Christophe Colomb: «C’est la terre la plus belle que des yeux humains aient contemplée», pendant qu’un long travelling déroule un paysage de forêts de palmiers, d’une blancheur irréelle. Ce motif visuel du blanc, éclatant et impitoyable, constitue un leitmotiv paradoxal, édénique et funeste: les images prises avec un filtre donnent au décor un aspect lunaire, minéral, comme si les arbres s’étaient fossilisés.

Il réapparaît dans le deuxième épisode: de manière idéale d’abord: la canne à sucre, dont le paysan attend la récolte pour nourrir ses enfants se prodigue en abondance, d’une blancheur étincelante; puis les palmiers se dressent, d’abord livides derrière les propriétaires à cheval qui viennent lui enlever le produit de son travail pour le vendre à l’United Fruit, avant de s’obscurcir, pendant que le feu dévore les champs, dans un violent contraste en noir et blanc.
Le motif visuel de la violence infligée aux paysages paradisiaques de Cuba se répète en ces intenses contrastes en noir et blanc dans le dernier épisode. Le jeune paysan Mariano, qui veut ignorer l’injustice et la lutte armée, survit retranché dans un paysage d’arbres squelettiques qui évoquent des ossements. Le rebelle, lui, fuit à travers des fougères phosphorescentes. Puis les bombes font exploser la terre, calcinent le paysage, transforment les êtres en fantômes erratiques dans un décor d’apocalypse.
L’épilogue, dans la marche triomphale des rebelles, rend à la végétation sa beauté vivante : les hommes marchent au milieu des palmes mouvantes de l’espoir.

 

Le night-club
Les images du night club suscitent les mêmes émotions contradictoires que celles des paysages: elles suggèrent l’extase des sens dans laquelle s’inscrit la douleur quasi religieuse des esclaves du plaisir. En deux longs plans dont le mouvement s’accélère vertigineusement, les images vibrent de la sensualité que communique la musique au public des Américains venus jouir des prostituées. Dans la première séquence, le crooner (Ignacio, fausset des Platters dans les années 50) déambule lentement entre les groupes en chantant «Amour fou». Sa voix au timbre lascif et pathétique s’adresse successivement à chacune des prostituées assises au bar: elle résonne comme une supplication que ses attitudes enivrantes et torturées apparentent à une agonie. Passant et repassant derrière les tiges de bambous qui ornent la salle, il semble un dieu prisonnier du désir qu’il inspire. Derrière lui, les statues de divinités africaines, immenses et immobiles semblent incarner l’angoisse qui émane de son chant voluptueux.
Dans la séquence suivante, la caméra suit, dans un mouvement étourdissant, les évolutions des danseurs. L’utilisation par Ouroussevski de la caméra portée donne l’impression que la scène a été filmée par un «cameraman ivre», selon le mot de S.Blumenfeld. Peu à peu, elle se focalise sur Maria-Betty, l’héroïne du récit. La jeune fille, prostituée malgré elle, ne participe pas à l’euphorie collective: elle danse avec réticence, puis progressivement, harcelée par les hommes, elle entre en transes, devient le centre vers lequel tous les regards convergent et danse dans un délire, sous le regard inerte d’une statue primitive. Martin Scorsese manifeste son admiration pour ce long plan-séquence, filmé avec une caméra Eclair (nouveauté des années 60), qu’il oppose à la steadycam, en soulignant «qu’on sent le mouvement sans même le voir». «Les spectateurs ne comprennent pas forcément, ajoute-t-il (…) mais l’impact émotionnel est plus fort (…) La caméra portée génère une plus grande tension dramatique, une plus grande immédiateté. Cette nouvelle technologie, surtout la caméra 16mm. est un outil libérateur»: Sergueï Ouroussevski en a inauguré les ressources, suivi ensuite par de grands cinéastes comme Cassavetes, dans Faces, à la fin des années 60.

 

Une scène aquatique
La scène de la piscine est un exploit technique inédit dans l’histoire du cinéma et offre un prodigieux spectacle de l’hédonisme à Cuba. On sait comment Ouroussevski a construit une caisse de verre pour étanchéifier sa caméra: il fut le premier à réaliser cet exploit, que reprit plus tard Paul Anderson dans Boogie night. Grâce à ce procédé, il a pu accompagner les nageurs sous l’eau et les filmer comme une multitude d’êtres irréels délivrés de la pesanteur. Le plan suit une femme qui se lève, descend dans l’eau, plonge, rejoint les autres nageurs, et on assiste à un véritable ballet sous-marin. L’atmosphère liquide dans laquelle baigne la séquence, la grâce des baigneurs donnent une pureté primitive à cet instant de plaisir à l’hôtel Tropicana, dont Samuel Blumenfeld écrit qu’il est «le symbole de la décadence cubaine et de l’impérialisme américain». ( Soy Cuba, DVD mk2.)

 

Une caméra aérienne
La caméra dans Soy Cuba crée aussi l’éblouissement parce qu’elle emporte le regard dans les airs. Douée d’un mouvement proche de la magie, elle nous conduit sans transition, de la terre de Cuba, enchanteresse et misérable, au-dessus de la ville, sur la terrasse du Tropicana où musiciens et mannequins, figures grotesques ou provocantes, semblent évoluer en plein ciel. Cependant, comme en chute libre, dans ce long plan-séquence sans aucune coupe perceptible, la caméra opère un mouvement de descente ininterrompu, obtenu grâce à des extenseurs qui permettaient de la faire descendre de la terrasse vers l’entresol et jusqu’à la piscine.

 

«Un ange tient la caméra» (S. Blumenfeld)
La caméra « vole dans les airs », selon l’expression de Samuel Blumenfeld, dans la séquence la plus célèbre, exploit technique et poétique, celle de l’enterrement d’Enrique. Il ajoute que «ce plan-séquence ne cesse de monter vers le ciel». «Un ange tient cette caméra, précise-t-il, et en volant, accompagne la foule de cette procession». La scène a été filmée en un long travelling depuis les toits de La Havane grâce à des filins tendus de fenêtre à fenêtre auxquels était suspendue la caméra. On voit ainsi, d’abord dans la rue, se former le cortège des Cubains derrière le corps d’Enrique recouvert du drapeau, puis la caméra «s’envole», adopte le point de vue des spectateurs qui, des fenêtres regardent grossir et s’allonger le cortège en contrebas, tout au long des rues qui s’emplissent de la foule massée derrière le cadavre de l’étudiant. La caméra s’introduit alors à l’intérieur d’un immeuble, à l’étage élevé où des ouvriers fabriquent des cigares. Elle accompagne leur mouvement de protestation silencieuse: ils se lèvent, déroulent à la fenêtre le drapeau qui flotte au-dessus de la rue où, de nouveau, le regard plonge sur la procession funéraire qui s’écoule sans fin. Martin Scorsese, enthousiaste, s’exclame: «C’est la bénédiction suprême ! Comment ont-ils fait ? » Il dit avoir d’abord « été bouleversé par la beauté du plan, pas par la technique», qu’il n’a analysée qu’ensuite. Il souligne encore l’émotion esthétique née du motif en miroir du drapeau : « Le drapeau flotte(…) Le drapeau recouvre le corps… » (Ibid.).

 

Gros plans : visages tragiques, visages héroïques
Le poème évoque les larmes du peuple de Cuba et sa fierté. Les gros plans sur des visages anonymes ou sur ceux des héros révèlent la douleur et l’énergie inaltérable qui sont gravés dans le regard et dans les traits des Cubains. La caméra de Sergueï Ouroussevski, douée d’un mouvement qui contribue puissamment à la beauté du récit, s’arrête aussi sur des visages, fixe des expressions symboliques de la souffrance et de l’énergie des Cubains.

 

Des regards de femmes
Ci-dessous trois visages de femmes: d’abord une femme du bidonville qui regarde passer l’Américain, saisi par la peur que lui inspirent les pauvres, au moment où il quitte la cabane de Maria, la jeune prostituée. Puis une femme anonyme dans la foule écoute l’appel à la révolte lancé par Enrique à la suite du meurtre d’un étudiant. Enfin on voit Gloria, la jeune fille qu’Enrique a protégée de l’agression des marins américains: elle suit son cortège funéraire.

 

Trois hommes du peuple
Les deux premiers vivent dans la misère du bidonville. La caméra fixe leurs traits au moment où ils regardent fuir l’Américain. La troisième image est celle d’un vagabond qui chante dans la rue: sa voix hante Enrique dans l’escalier où il monte pour exécuter son attentat contre le chef de la police; elle le harcèle pendant qu’il vise et participe de l’atmosphère tragique de toute la séquence. Les trois images, en contre-plongée donnent une grande puissance expressive aux traits des personnages.

 

Enrique
Les trois images suivantes montrent la métamorphose d’Enrique, en proie à un drame moral: d’abord on le voit sur la terrasse où, sur le point de tuer le chef de la police, il renonce à tirer parce qu’il est terrifié par la gravité de son geste. Sur la deuxième image le visage exprime la détermination révolutionnaire qui le saisit après que la police a tué l’un de ses amis. L’instant suivant montre Enrique incitant la foule à la révolte: il est sur les marches de l’église, une colombe est tuée par les tirs de la police, et il se met en marche, portant le cadavre d’un oiseau comme emblème. Son regard justifie le texte du poème qui accompagne cette séquence: «Les hommes à leur naissance ont deux chemins / celui du joug qui soumet / celui de l’étoile qui éclaire et tue. /Tu choisiras l’étoile».

 

Les paysans
Les images suivantes suscitent des associations émotionnelles par les correspondances esthétiques qu’elles créent. Sur la première photo, apparaît le visage de Pedro, le vieux paysan, désespéré par la perte de sa récolte. L’image, prise en contre-plongée, donne une force pathétique au regard levé vers le ciel. Le poème interroge: «Qui répondra de nos larmes? Qui répondra de notre sang?» Sur la deuxième image, en contre-plongée également, le visage de Mariano. Le jeune paysan pacifiste vient de perdre l’un de ses enfants. A cet instant, son expression change,  passe de la résignation à la révolte, comme le remarque Martin Scorsese dans son entretien avec Richard Sickel (DVD mk2). La croix à l’arrière-plan donne une puissante intensité au regard levé vers le ciel, d’où tombent les bombes qui tuent les enfants. La dernière image montre le rebelle épuisé après une traque de chiens policiers à laquelle il a échappé de justesse. Réfugié chez Mariano, il s’appuie contre un arbre: son visage révèle les souffrances de la lutte pour la terre de Cuba. L’image illustre le poème de Evtouchenko: «Le chemin sera dur, il sera jalonné de notre sang».

 

Les héros
La fin du film évoque la joie triomphante des révolutionnaires qui marchent à la victoire. Ici trois images en contre-plongée qui grandissent les hommes et leur donnent la stature des héros: d’abord, les rebelles, arrêtés par la police de Batista: la photo montre par la lumière qui éclaire violemment leurs visages, la détermination de leur regard. Puis on voit, transfiguré par l’espoir, le visage du guerillero photographié ci-dessus à bout de forces. Son sourire évoque la lumière de «l’étoile» qui, selon le poème, guide vers la liberté. Le même sourire illumine le visage de Mariano, qui a choisi de tirer, non pas «pour tuer», mais «de tirer contre son passé». «Tu tires contre ton passé/ Tu tires pour la défense de ton avenir», dit le poème.
Tournée dans la joie et la passion, cette évocation de la révolution encore vivante dans les mémoires, dans une ferveur d’autant plus vive que les acteurs de cette révolution participaient à la création du film (Che Guevara venait sur le plateau, Fidel Castro visionnait les rushes), Soy Cuba est une ode à l’espoir engendré par la naissance d’un monde nouveau. Mais le génie cinématographique de Kalatozov et du chef-opérateur Ouroussevski a transfiguré en un poème d’images ce qui aurait pu n’être qu’un film de propagande. Martin Scorsese affirme que Sergueï Ouroussevski fut l’artisan génial de ce chef-d’œuvre. Des créateurs du film, il dit en effet: «Ils ont conçu des plans, dont lui seul pouvait gérer les mécanismes».

Soy Cuba - (Я – Куба)
URSS / Cuba,  1964, 140 minutes.
Réalisation : Mikhaïl Kalatozov
Scénario : Enrique Pineda Barnet, Evgueni Evtouchenko
Interprétation : Luiz Maria Collaso (Maria, Betty), José Gallardo (Pedro), Raul Garcia (Enrique), Sergio Corrieri (Alberto), Jean Bouise (Jim), Celia Rodriguez (Gloria), Roberto Garcia York (L’activiste américain) ? Luisa Maeia Jimenez (Teresa), Mario Gonzalez Broche (Pablo), Raquel Revuelta (La voix off) Nina Nikitina (texte russe), Gueorguï Epifantsev (texte russe)
Image : Sergueï Ouroussevski.
Décors : Evgueni Svidetelev.
Musique : Carlos Farinas.
Son : Vladlène Charoune
Production : ICAIC / Mosfilm.
Distribution : MK2 Diffusion
Noir et blanc, version russe : 14 bobines, 3906 m, 143 minutes.

Synopsis :

La Havane, 1958 sous le régime de Batista. Corruption et luxure règnent en ville tandis que de riches propriétaires exploitent les malheureux paysans dans les champs de canne à sucre. Les révolutionnaires partisans de Fidel Castro se regroupent et préparent la révolution.

Commentaires :

Le film de commande qui devait être un hommage à la révolution castriste est boudé et par Cuba et par l’URSS. Il sera interdit pendant 30 ans aux Etats Unis. Présenté au festival de Telluride au Colorado en 1992, il obtiendra le soutien de Francis Ford Coppola et de Martin Scorcese. Ce dernier dira du film, qu’il « donne foi dans le cinéma ».  Le film révèle l’extraordinaire talent de l'opérateur : Sergueï Ouroussevski. On notera notamment la scène au cours de laquelle la caméra traverse un immeuble, descend le long d’un mur jusqu’à une terrasse de café avant de plonger dans une piscine. Sergueï Urusevski avait déjà travaillé avec Katalozov lors de la réalisation de Quand passent les cigognes.

Prix et récompenses :

. 1996 Prix de la Société nationale des récompenses attribuées par les critiques de cinéma des Etats Unis (National Society of Film Critics Awards)

. 2004 Prix du Jury "Découverte" pour la version rénovée sur DVD au festival de Cannes.


 

Soy Cuba

www.kinoglaz.fr/soy_cuba.htm