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Menendez Amerino Matérias Publicadas sobre a Menendez Amerino.
Jovem é o alvo dos
charutos brasileiros A baiana Maria Antônia Barbosa, de 45 anos, há 24 enrola charutos na fábrica da Menendez & Amerino, em São Gonçalo dos Campos, a 100 quilômetros de Salvador. Ela leva duas horas para enrolar um charuto, preparando o miolo e o encapando - a parte mais nobre do ofício e também a mais prazerosa e rápida (10 minutos) porque, encerrada, o charuto está pronto. Na fábrica, são cerca de 100 mulheres de um total de 150 funcionários. Cada charuto, ensina Maria, é uma peça única, mesmo que metade do miolo, cortado, dê origem a outro. A diferença está na capa, porque as abas das folhas nunca são iguais e um é enrolado com a aba esquerda e outro com a direita. Na última terça-feira, no bar e restaurante Azucar, no Itaim Bibi, na zona sul paulistana, Maria perdeu a conta de quantos charutos encapou (os miolos ela trouxe prontos). Todos da marca Aquarius, a aposta do empresário Félix Menendez, de 59 anos, uma das abas da Menendez & Amerino, para atrair os jovens. A outra aba é o empresário Mário Amerino Portugal, de quem a família comprava fumo baiano quando migrou e decidiu produzir charutos nas espanholas ilhas Canárias, antes de aportarem no Brasil em 1977. Menendez explica que, ao contrário de outras marcas da empresa como Dona Flor e Alonso Menendez, o Aquarius tem duas armas para conquistar os jovens: o preço médio de R$ 6,00 a unidade e a suavidade do fumo baiano Mata Fina, ideal para quem não suportaria sabores mais encorpados. No Brasil, acredita Menendez, o consumo de charutos premium, que têm formato internacional e são feitos artesanalmente, é hoje da ordem de 10 milhões de unidades por ano, incluindo os importados, especialmente os cubanos. Um consumo correspondente a 3 milhões de charutos por ano, relativamente pequeno, reconhece o empresário, diante dos 60 milhões de unidades do início do século 20, quando o cigarro, produzido industrialmente, ainda não havia conquistado a maior fatia do mercado. Da base do consumo, brinca Menendez, o charuto pulou para o topo. 'É um produto absolutamente natural, sem química nenhuma - apenas com folhas enroladas. Enfim, uma obra de arte natural". A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não o vê dessa forma e o charuto enfrenta as mesmas restrições que o cigarro. "Hoje, torcemos para que alguma personalidade apareça fumando charuto em público", diz Menendez, que tem esperança de ver Lula trocando o produto cubano pelo nacional, baiano. Com faturamento de R$ 9 milhões no ano passado, a Menendez & Amerino está investindo este ano R$ 1,6 milhão em novos produtos e na abertura de mercados. "Temos que conquistar novos usuários para garantir o futuro da empresa", diz Menendez, que exporta 25% dos charutos produzidos na Bahia e 95% do fumo que compra de 300 produtores baianos. Hoje, a Dannemann dedica-se praticamente à exportação do fumo em folhas baiano e tem produção modesta. Já a Suerdick, também de imigrantes alemães que a criaram em meados do século 19, em Cachoeira (BA), cerrou as portas há três anos e pôs a marca à venda. A própria Menendez & Amerino chega a vender ao exterior 95% do fumo que compra de 300 produtores. É com 5% que produz os charutos e, em outra fábrica, toda mecanizada e com 150 funcionários, as cigarrilhas Gabriela e Saint James, esta última sob licença da Souza Cruz. Menendez, cuja família, antes da revolução cubana, em 1959, controlava a Menendez Garcia & Cia, fabricante das marcas Montecristo e H. Upmann, ensina: "Charutos nunca devem ser tragados. Nem devem ser mergulhados em licores ou conhaques, porque isso estragaria tanto a bebida como o fumo". A Cubalse, importadora que divide com a Puro Cigar, o abastecimento do mercado brasileiro com charutos cubanos, também se esforça para trazer jovens ao mundo dos charutos. Seu controlador, Arnaldo Ramos Júnior, que fornece os vendidos em tabacarias paulistanas como a Ranieri Pipes, Tabacaria Reis e Epicur, diz que hoje são consumidos mensalmente cerca de 250 mil charutos cubanos no País. "O mercado só vai crescer com novos consumidores." Menendez promete fazer sua parte com Aquarius e, quem sabe, depois, seduzi-los com Dona Flor. CARLOS FRANCO http://www.estado.com.br/editorias/2003/10/05/eco019.html
Entrevista com Félix Menendez e Arturo Toraño Sanchez
Esse trabalho começou com a fábrica Menendez, Garcia y Cia, que em 1933 começou a produzir os conhecidos H. Upmann, Montecristo e Por Larrañaga. Com o advento da revolução e a estatização das fábricas, sua família teve que forçosamente abandonar todo patrimônio, mudando-se para reiniciar seus trabalhos com charutos nas Ilhas Canárias, Espanha. Por lá permaneceram 19 anos produzindo charutos, conseguindo novamente alcançar o sucesso com a fábrica "Companhia Insular Tabaqueira", tendo como carro chefe o charuto Montecruz, até hoje bastante consumido nos Estados Unidos. Surgiu então, a oportunidade de associação com o Sr. Mario Amerino Portugal, grande produtor e exportador de fumo brasileiro para as manufaturas tabaqueiras do mundo, inclusive Ilhas Canárias. Em 1977, o irmão de Félix, Benjamin Menendez, vem ao Brasil e em parceria com o Sr. Mário, lança o El Pátio, primeiro charuto 100% “Bahia Hand Made”. Em 1979, o próprio Félix se instala no Brasil e em seguida é lançado o Amerino com a capa Sumatra, e no início da década de 80 surge, então, o conhecido charuto Alonso Menendez. Arturo Toraño Sanchez, primo de Félix, aceita vir ao Brasil para se tornar o elo mais importante do processo de fabricação dos charutos da Menendez Amerino. Parceiro dedicado, cuida atualmente de toda a parte de seleção, classificação e beneficiamento das folhas de tabaco, garantindo a qualidade constante da matéria prima utilizada na fábrica. O charuto Dona Flor, relançado em 2000, é a vedete do mercado charuteiro brasileiro, onde reina absoluto nas versões Corona, Robusto, Churchill, e mais recentemente o Pirâmide. Félix esclareceu que tanto o Alonso, quanto o Dona Flor, possuem blends próprios e seleções próprias de folhas de tabaco, principalmente em seu miolo. A fabrica não pára de crescer, atingindo atualmente a produção anual de 3 milhões de charutos. Perguntado sobre o crescente aumento de fábricas e marcas de charutos no mercado, Félix diz não temer a concorrência, pois diz que a qualidade de seus produtos é o enfoque de sua preocupação. Ele finaliza raciocinando: “É
possível crescer com qualidade, mas produzir muitos charutos sem
qualidade não garante um crescimento real e duradouro.”
MENENDEZ
ENCARA OS CUBANOS
A Menendez Amerino produz hoje os charutos premium (com folhas de fumo inteiras e sem aditivos químicos) Dona Flora e Alonso Menendez e as cigarrilhas St. James. Um quarto de sua produção de charutos, ou 750 mil unidades por ano, é exportado – sobretudo para os Estados Unidos, que ficam com a metade desse volume, e para a Alemanha. Há clientes pitando o produto também no Canadá, na França e nos Emirados Árabes. A companhia gostou da aventura externa e agora quer que as exportações representem 50% de suas vendas. Para isso, ela terá que empreender uma batalha feroz com concorrentes cubanos e dominicanos, os maiores fabricantes mundiais. A produção de cada um deles beira os 140 milhões de charutos por ano. “Mas querer é poder”, filosofa Barreto. O empresário pretende atacar em três frentes para consolidar a sua expansão internacional: usar Portugal como porta de entrada para a Europa, conquistar novos distribuidores nos Estados Unidos e lançar um charuto que não deixa nada a desejar aos melhores cubanos, inclusive no que diz respeito ao preço alto. Planos. Parte da estratégia já está em curso. Há três meses, a Menendez embarcou o seu primeiro carregamento para Portugal. Foram apenas 50 mil unidades, mas elas serviram para incomodar as marcas cubanas, que são 40% mais caras e até então reinavam sozinhas entre os 5 milhões de fumantes portugueses. “Agora vamos entrar na Espanha, que compra 60% de todos os charutos feitos em Cuba”, diz Barreto. Nos Estados Unidos, em função do boicote aos produtos da ilha de Fidel Castro, a briga é com os dominicanos. A Menendez tem dois distribuidores na América e está fechando acordo com mais dois. “Os americanos fumam 380 milhões de charutos por ano. É um mercado de US$ 1 bilhão. Qualquer casquinha a mais que a gente tire será ótimo”, afirma o empresário. A última tacada da empresa acontecerá em setembro, com o lançamento da marca Aquarius. Barreto não revela quanto está investindo no desenvolvimento da novidade, mas não deve ser pouco. A caixa de madeira que acondiciona o produto foi desenhada nos Estados Unidos e será fabricada na Holanda. “O Aquarius vai custar muito caro”, avisa ele, sem, no entanto, revelar o preço. A Menendez Amerino foi fundada há 25 anos pelo produtor brasileiro de fumo Mário Amerino da Silva Portugal e por uma família de muita tradição no ramo – a cubana Menendez, que teve a sua fábrica de Havana expropriada depois da revolução castrista de 1959. A empresa, desde então sob controle do governo de Fidel Castro, produz os lendários charutos Monte Cristo, que representam 40% de tudo o que é exportado pelo país. Christian Carvalho Cruz, Quarta-feira, 29 de Maio de 2002 http://www.terra.com.br/istoedinheiro/248/negocios/248_charutos.htm
Charuto Cubano na Bahia Marta Barbosa, de Salvador
O cubano Félix Menendez, 57 anos, é cumprimentado pelo nome onde quer que vá na pequena cidade de São Gonçalo dos Campos, a 130 quilômetros de Salvador. Mas dificilmente consegue ser compreendido sem antes repetir por pelo menos duas vezes o que diz. É que mesmo depois de 21 anos morando no Brasil, ele não perdeu o sotaque e ainda usa o castelhano para se fazer entender. “Papagaio velho não aprende a falar”, simplifica o cubano. Não foi só no idioma que Menendez se manteve fiel às raízes. Herdeiro dos criadores do sofisticado charuto Monte Cristo – que está nas mãos do governo cubano desde 1960 –, o “seu” Félix decidiu dar continuidade à saga da família em solo brasileiro. Montou, na quente São Gonçalo, a maior produtora de charutos premium do País. São aqueles feitos com folhas inteiras e sem aditivos químicos. A Menendez & Amerino produz as marcas Alonso Menendez e Dona Flor. São 150 mil charutos por mês que saem das mãos das 280 baianas (as mulheres fazem o trabalho artesanal) para baforadas no Brasil, Alemanha, EUA e Canadá. Este ano, a empresa iniciou também a produção de cigarrilhas St James. A marca foi comprada da Souza Cruz.
A entrada no
mercado de cigarrilhas e mesmo o lançamento do charuto Dona Flor, em maio deste
ano, fazem parte de uma estratégia de diversificação – a Menendez &
Amerino não quer ser mais uma empresa de um produto só. Cerca de R$ 4,5 milhões
foram investidos na reestruturação que começou no início do ano, quando
metade do controle acionário foi adquirido pelo Grupo Multi, da Bahia.
“Estamos modernizando a produção sem perder o charme de uma marca de 21
anos”, diz Francisco Barreto, um dos novos sócios. Eles já tiveram um sinal
de que onde há fumaça, há lucro. No primeiro trimestre, o faturamento cresceu
138% em relação ao mesmo período de 1999. Os valores ficam em absoluto
segredo. “Não queremos chamar a atenção dos concorrentes”, conta Barreto.
“Principalmente os internacionais.” E não há exagero nenhum nisso. O foco
da Menendez sempre foi o exterior – as exportações representam 60% da
receita da empresa. O cuidado com o mercado externo é tanto que, a partir de
novembro, será lançada uma marca voltada exclusivamente para os americanos: a
Aquarius. http://www.terra.com.br/dinheironaweb/159/negocios/159charuto.htm
FUMAÇA DE PRIMEIRA Por: J.A. Dias
Lopes
A fantasia dos poetas europeus
do século XIX, devotos do prazer de fumar, envolveu de romantismo a elaboração
do charuto, criando uma lenda que o mundo inteiro passou a repetir. Ainda hoje
existe quem a tome por verdadeira. Os charutos de qualidade seriam feitos por
mulheres insinuantes. Enrolariam o fumo em uma das coxas, com as pernas
cruzadas e a saia arregaçada. Nada mais falso. Feitos assim, os charutos
resultariam tortos. A bitola defeituosa pode comprometer a queima e a extração
da fumaça. Quem tiver o privilégio de visitar a fábrica da Menéndez &
Amerino - localizada em São Gonçalo dos Campos, na Bahia, a 120 quilômetros
de Salvador, e responsável por 60% do mercado nacional - saberá como se faz
realmente um charuto de qualidade.
Para começar, ali o trabalho é
exclusivamente manual. Depois, só ocupa mulheres. Mas nada a ver com a
sensualidade. É preconceito de verdade. Na Bahia, a elaboração do charuto
constitui tarefa feminina. Homem que se dedicar a ela passará por afeminado.
Na Menéndez & Amerino, um esquadrão de 160 mulheres faz esse trabalho.
Produz 12 000 charutos diários, que se convertem em 3 milhões de unidades
por ano. As linhas fabricadas são a Alonso Menéndez, a Dona Flor, a Dona
Flor Pirâmide Quadrado e a Dona Flor Petit Corona, bem como as cigarrilhas
Gabriela e St. James (leia quadro na página 84). É um espetáculo observar
as mulheres sentadas, enfileiradas em bancadas, enrolando o fumo em moldes
especiais - e não nas coxas, como divagavam os poetas do século XIX. Apesar
da falta de sedução, o espetáculo atrai. Impossível desviar os olhos
daquele artesanato. A cena parece da era pré-industrial, lançada no século
XXI por obra de uma máquina do tempo.
Curiosamente, a Menéndez & Amerino não
é uma empresa antiga. Constituída em 1977, começou a produzir no ano
seguinte. Convém relembrar o começo de sua trajetória. Um comerciante
baiano chamado Mário Amerino Portugal exportava fumo para as Ilhas Canárias,
na Espanha. Tinha como principal cliente a Companhia Insular Tabacalera,
controlada por Alonso Menéndez Garcia, um empresário espanhol que viveria em
Cuba muitos anos mas deixara aquele país, juntamente com os seis filhos,
todos nascidos em Havana, quando Fidel Castro tomou o poder e expropriou seus
bens privados, inclusive a participação acionária nas prestigiadas marcas
Montecristo e H. Upmann. Como viajava muito para as Canárias, Mário se
tornou amigo pessoal do filho mais velho de Alonso, Benjamin. Anos mais tarde
o comerciante baiano casaria com Carmen, única mulher do clã. Na época, a
produção brasileira era liderada pelas fábricas Suerdieck e Dannerman. Mário
achava que ambas elaboravam bons charutos, mas ao gosto dos fumantes da
Alemanha, país de onde procediam seus donos. Ele gostaria de desenvolver um
charuto de estilo brasileiro. Mas não queria fazer isso sozinho. Procurava um
parceiro qualificado - e julgou que Benjamin fosse a pessoa certa. Mário era
- e continua sendo - uma das figuras humanas mais estimadas na Bahia.
Tornou-se personagem de Jorge Amado. Foi o "amigo endinheirado",
descrito como "solteiro e estróina naquele tempo", que emprestou a
casa para Vadinho e dona Flor terem a primeira noite de amor, no romance Dona
Flor e Seus Dois Maridos (Martins Editora, 1a edição, página 122, São
Paulo).
Com a derrota do grupo, acabou preso na fortaleza de Castelo do Príncipe, onde permaneceu 22 meses. As cabeças dos sobreviventes da invasão - quase meia centena morreu em combate e cinco foram fuzilados - tiveram preços fixados por Fidel Castro. A liberdade de Arturo custou 50 000 dólares. Foi o que o presidente americano John Kennedy pagou por ela. Os preços variavam conforme a importância do prisioneiro. Arturo saiu por 50 000 dólares porque um funcionário do Partido Comunista Cubano conhecia sua família. Primo dos Menéndez, homem simpático e comunicativo, ele sempre trabalhou no processamento de fumo. Na prisão, passou horrores. Serviam-lhe até comida podre. Entrou ali pesando 79 quilos, saiu com 54. Os charutos da Menéndez & Amerino combinam os fumos Mata Fina e Mata Norte, genuinamente nacionais. Suas sementes já existiam em 1500, quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil. Nada a ver com o fumo plantado em Cuba - embora a Menéndez & Amerino haja trazido sementes do tabaco daquele país, três anos atrás e as esteja cultivando experimentalmente. O Mata Fina e o Mata Norte imprimem as características de aroma e sabor do charuto nacional. Quem parte de Salvador e se dirige de automóvel a São Gonçalo dos Campos, pela BR-324, encontra-os separados em zonas naturais. À esquerda se localizam as plantações do Mata Fina; à direita, do Mata Norte. A semente é rigorosamente a mesma. A diferença está no terroir. O solo do Mata Fina se apresenta avermelhado, rico em ferro. O do Mata Norte é mais escuro, pródigo em material orgânico. Cada um transfere ao charuto um elenco de tipicidade. O Mata Fina se apresenta mais leve e aromático; o Mata Norte, mais forte e doce. O sucesso dos charutos da Menéndez & Amerino tem sido saber lidar com ambos, associando-os em blends exclusivos. Não por acaso, a empresa fabrica excelentes charutos. Há quem afirme ser os melhores do Brasil. Matéria publicada na edição 129 / Julho 2003. |
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