Crônicas, Contos e Causos
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QUATRO
VEZES EM NOVENTA MINUTOS - Ademir Canhoto
VII FESTIVAL DEL HABANO 2005
- Ruimar de Oliveira Junior
DANNEMANN - Celso Nogueira
Porque
fumo charutos... - Jorge Luiz Heller
Porque
fumamos charutos? - Valério
Charuto
e reggae. Na moral! - Daniel Thame
A
pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos
Sem
La
Rubia Cabeza de Fonseca - Rubem Fonseca
Há
um "Puro" para cada ocasião - Celso Nogueira
Crônica
de uma manhã de Quarta - Celso Nogueira
Crônica de um fumador de Cachimbo - by Russo
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VII FESTIVAL DEL HABANO 2005
Cidade de Havana de 21 a 25 de Fevereiro.
Por
Ruimar de Oliveira Junior
Habanosommelier
"O sucesso se repete a cada ano em
Fevereiro, quando chegam a La Habana delegações de todo o mundo. Admirar as
belezas de la Ciudad de La Habana – o Malecón, onde o inverno cubano é verão.
Não só de reuniões comerciais, nem tão pouco a feira, de concursos e intercâmbios
técnicos – tudo isso o Festival oferece aos seus invitados. É a tal
atmosfera que Cuba oferece, que só quem já foi poderá defini-la. É a concorrência
por um Habano que atrai também aficionados dos quatro pontos do mundo. Todos cúmplices
hermanados pela paixão por algo tão puro, como os autênticos puros cubanos. E
isso, vale muito em um mundo saturado em modernidades e inundados de charutos
tipo fasf-food.
O que disfrutam todos, o que nos une e nos satisfaz, é compartilhar o mesmo
prazer: um charuto bem torcido, hecho a mano com folhas plantadas, colhidas e
curadas nas melhores terras de tabaco do mundo. Retirar o charuto de dentro da
caixa, desfrutar sua textura, observar sua queima e se deixar levar entre
baforadas e aromas, tudo acompanhado de um bom café, rom, ou outra bebida que
combine com o paladar de cada um.
Depois disso, tudo de mais o que o Festival nos oferece: os negócios, os prêmios,
os leilões, os estudos, os discursos e se ainda não bastar, uma salva de
palmas para aqueles aficionados que conseguirem imitar os mais hábeis
torcedores de habanos.
Também acontecem comemorações em decorrência de alguma marca de charuto
Habano criado para reverenciar a ciudad de La Habana com seus mais de quinhentos
anos de história.
O extenso programa que a organização do Festival programou começa lunes, 21
de Fevereiro com o quarto concurso Internacional Habanosommelier, certame que
conta com grande expectativa, pois o mercado necessita de um número crescente
de profissionais para ascensorar a escolha e a hora certa de um habano. Neste
concurso, que possui caráter internacional, participam os sommeliers ganhadores
dos diferentes concursos nacionais organizados em cada país. Na grande final,
os participantes deverão fazer um exame teórico em que terão que demonstrar
todo seu conhecimento das diferentes marcas e vitolas de los habanos. Os
finalistas desta primeira etapa deverão se submeter mais tarde à uma prova prática
de corte e encendido del habano, um menu descritivo e sua combinação com
diversos tipos de bebida e comida.
Outra atividade importante acontece durante o III Whisky and Cigar Challenge,
onde se propõe a combinação entre as variadas marcas de whisky e habanos.
O Festival novamente acolherá na ciudad de La Habana os amantes de los puros
Habanos que contará não só com profissionais do setor, mas produtores,
distribuidores e vendedores além obviamente dos aficionados e grandes
conhecedores do tema em mais um grande encontro."
Caros amigos,
Falta marketing, não falta qualidade ao charuto Dannemann. O meu, na metade, continua a surpreender. Falta regularidade, como em muitos charutos nacionais; mas quando um Dannemann é bom, ele é ótimo. E agora, neste minuto, deu-se o milagre. O charuto perfeito para o momento. A capa escureceu com o tempo, ganhou aquele tom tabaco com café, pretos entre marrons. Oleosidade, brilho, queima ideal, regular, cinza longa clara com pontos escuros.
Não canso de me espantar ao acender um charuto que custa pouco mais de dez reais e desfrutar um prazer que não me sai por menos de trinta, nos cubanos bacanas. Além do gosto em si, tem aquele prazerzinho da pechincha. Fora o fato de que ninguém no mundo dos charutos, dos bacanas das Big Smoking farras americanas ao requinte de Gérard Père et Fils, tem acesso a um prazer similar. Por desconhecimento, poderiam comprar não uma caixa, talvez a própria Dannemann.
Tenho fumado pouco, falta de tempo e até de vontade, um charuto exige atitude, a pressão da vida megalopólica não ajuda muito. Aí, prefiro unos puros cubanos, em geral. Poucas fumadas, charutos top. Hoje encarei um singelo número um que descansou mais de ano no umidor. Envelhecer charuto super vale a pena.
Pronto o serviço para mandar por e-mail, nove da noite, salada de pupunha fresca com limão siciliano pronta, filé mignon de porco devidamente assado, purê de mandioquinha e arroz ok, tudo à espera da patroa que dá aula até as dez. Acendi o Dannemannn, sem maiores expectativas. Mas precisava compartilhar com os confrades meu deslumbramento, pois levei um susto. Estava aqui em casa sozinho, exausto, agora satisfeito.
O prazer de um charuto também é proporcional à surpresa. Como a frustração. Um momento muito aguardado, e o mardito trava. Que nada, agora foi a merecida recompensa, embora o charuto não soubesse o quanto ralei para terminar o trampo a tempo. Os sabores das matas finas, terrais, me invadem. Dá um certo tesão, até. Leve amargor, da cerveja ou do charuto? Delícia.
Cerveja Skol, schnapps de framboesa, noite de terça, comum, solitária. E o charuto deveria se encaixar nessa quase rotina. Mas ele se levantou feito um deixa prá lá, em nome do recato. Mostrou ao que veio. Reverencio a cruz branca na anilha vermelha e agradeço aos céus ter no Brasil tantos bons charutos. Ainda prefiro, por gosto pessoal, os Dannemann. Mas pequenos Angelinas, vários Don Porfirio e Caravelas já me comoveram num nível similar. Ocasionais e antigos Dona Flor e Alonso também.
Costumo fumar muito determinado charuto que me agrada, depois praticamente o esqueço. Quando volto, fico curioso em saber qual será a impressão. Neste Dannemann, pude confirmar uma brasilidade única, inimitável, inigualável, que o coloca no mesmo patamar dos bons cubanos (não dos melhores), jamaicanos (penso no Royal Jamaica), Davidoffs de várias origens (menos Avo Domaine), um ou outro Dunhill, enfim, dos meus preferidos que lembro agora. Penso nos Dannemanns que ainda me aguardam no umidor, com um, dois, três anos, e recomendo: guardem seus charutos por um bom tempo, os bons ficarão ainda melhores. Nove e meia e basta. No finzinho, morrinhou de leve, sem comprometer o conjunto. Boa noite.
Abraços
Celso Nogueira Celsonog88@yahoo.com.br
São Paulo, 31 de Agôsto de 2004
Todos os anos promovemos aqui em Itabuna, no Sul da Bahia, o Carnaval
Antecipado, geralmente no mês de janeiro, do qual sou responsável pela área
de comunicação.
Como fugimos do Carnaval Oficial, conseguimos trazer para cá as grandes
bandas baianas, como Chiclete com Banana, Timbalada, Harmonia do Samba, Ivete
Sangalo, Araketu, Netinho, etc.
Mas, vamos ao que interessa.
Na última noite da folia, aproveito para dar uma relaxada e saio num
bloco de reggae, que a gente mantém só por gostar desse tipo de música e
criar uma alternativa para a mesmice do axé. Saimos com Edson Gomes, que apesar
de misturar reggae com uma chatíssima pregação evangélica ainda atrai uma
multidão.
Este ano, como sempre faço, subi no trio e acendi meu charuto, um Alonso
Menendez.
Um rapaz que acompanhava o trio não parava de me fazer sinais pedindo
para que eu jogasse o charuto pra ele, certamente confundindo meu puro com outra
coisa.
Eu fazia sinais mostrando que se tratava se um charuto, mas ainda assim
ele insistia.
Quando o charuto estava no final, joguei a ponta pro rapaz, que ficou
numa alegria danada.
Pois bem, o trio deu a volta na avenida, num percurso de três quilomêtros,
e quando a gente estava encerrando a apresentação o sujeito, sabe-se lá Deus
como, conseguiu escalar o trio e começou a beijar a minha mão, dizendo “você
é moral, você é moral”.
A situação já era inusitada, mas não havia acabado. O rapaz, sem
soltar da minha mão, disse:
-Ô moral, eu saí da cadeia só pra ver o Edson Gomes, eu amo reggae...
E, para mostrar que não estava mentindo, levantou a camisa, exibindo inúmeras
marcas de bala de revólver nas costas e as indefectíveis tatuagens de quem
passa pela cadeia.
Surpreso, eu apenas respondi:
-Ô moral, porque não me disse isso antes? Eu teria jogado era uma caixa
de charutos inteira...
Daniel
Thame, Bahia
d_thame@uol.com.br
"A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos"
- Pablo Neruda
O
empresário certo é o que investe em seus funcionários nos
momentos incertos; o funcionário certo é o
que aposta na empresa nos momentos incertos; os colegas certos
são os que permanecem lutando, junto com você, nos momentos incertos;
o amigo que é amigo mesmo, continua sendo tbém nos
momentos incertos; o amor certo é o que está ao seu
lado, chova ou faça sol, nos momentos incertos;
Nos momentos de sua vida nos quais tudo está indo bem e dando certo,
as pessoas erradas se aproximam.
Você não as notará, porque está tudo certo. Verá o melhor
delas, porque está tudo certo. Gostará mais delas, porque está
tudo certo. Será mais fácil de iludir você, sua empresa,
departamento ou até toda a sua família, amigos e colegas, porque está tudo certo.
Como um cruzeiro em um iate, todos nós sofremos uma certa dose de "ilusão
das férias de verão" quando conhecemos alguém, seja na vida profissional
ou pessoal, com a qual só experimentamos momentos de calmaria, de festas, de
alegria. Momentos muito bons, mas nos quais é impossível separar o "joio
do trigo". Momentos nos quais só vemos o melhor ângulo da personalidade
de uma namorada (ou namorado), um funcionário, um sócio, um parceiro, um amigo.
Temos, portanto, uma visão perigosamente bidimensional.
Muitos casamentos acabam, quando marido e mulher descobrem que a personalidade
da outra pessoa é muito mais complexa do que podia ser visto durante a fase de
namoro e noivado -- especialmente quando aquela fase não ofereceu "crises"
para testar o casal. Os dois só viram o "trigo", antes
do casamento, descobrindo o "joio" depois. Sim, há
casos em que o joio é visto bem antes, mas alguns de nós fazem questão de
fingir que não estão vendo nada, ou que depois essa pessoa mudará...
Quantas pessoas que você considerava "grandes amigos", não se
afastaram imediatamente, assim que você perdeu aquele emprego? Sim, é
impossível avaliar amigos, colegas, funcionários e amores sem o teste das crises.
Para conhecer realmente essa pessoa, você tem que observa-la quando o iate
entrar em uma tempestade gigantesca no meio do oceano, quando o navio estiver
sob risco de afundar, e um grupo de piratas começar a destruir tudo e invadir a
nau. Neste momento, você verá, de modo cristalino, quem é que corre para os
botes salva-vidas esquecendo-se completamente de você, da empresa ou do
projeto, e quem está com você até o fim -- seja este fim qual for.
Por isso, antes de julgar alguém pelo belo sorriso em um dia de sol, veja se o
sorriso ainda está lá, mesmo que haja lágrimas em um dia de chuva.
Como explicou Pablo Neruda: A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos.
Mas uma coisa não mudará, os meus charutos sempre estarão comigo... tanto nos momentos certos, como nos momentos incertos. Eles não me deixarão na mão...
[ ]'s Castro
Se
São
os os izios no
Charutos
Charutos
Charutos
oram, choram, coçam o
Charutos
sou
Charutos
[ ]'s Castro
LA RUBIA CABEZA DE FONSECA
Uma breve história sobre poesias e charutos
Cuando llegue la luna llena iré a Santiago de Cuba,
iré a Santiago
en un coche de agua negra.
Iré a Santiago.
Cantarán los techos de palmera.
Iré a Santiago.
Cuando la palma quiere ser cigüeña.
Iré a Santiago.
Iré a Santiago
con la rubia cabeza de Fonseca.
(García Lorca)
Quando li este poema de Lorca, há muitos anos, fiquei intrigado com o significado daquele verso "Irei a Santiago com a cabeça loura de Fonseca". Escrevi, alhures, que poesia não tem que ser entendida e sim sentida, mas os escritores são contraditórios e esta história é antiga; naquela ocasião eu estava mais interessado em entender do que sentir o poema. Que cabeça seria aquela? Nos ombros de alguém ou decapitada? Um dia procurei a coletânea de Lorca, para ler novamente o poema - um bom poema, como é do conhecimento geral, pode ser lido, com prazer, centenas de vezes - mas não encontrei o livro. (Achado muito depois: Federico García Lorca, Obras Completas, Recopilación y Notas de Arturo Del Hoyo, Prólogo de Jorge Guillen, Epílogo de Vicente Aleixandre, Aguilar, octava edición, Madrid, 1965).
Existe uma grande balbúrdia nas minhas estantes. Quase que diariamente, novos livros são acrescentados ao meu acervo e, como não existe espaço nas prateleiras, eles acabam se espalhando pela casa toda, o que contribui para que eu nunca consiga achar um livro que estou procurando. Hoje a situação é caótica, mas, mesmo naquela ocasião, quando os livros eram em menor número, o problema já existia. O certo é que esqueci, por algum tempo, la rubia cabeza de Fonseca.
Fumo charutos há muitos e muitos anos. Durante um longo tempo, o meu preferido era um Pimentel escuro, negro, que hoje não mais existe, de odor tão forte que impregnava cortinas, tapetes, roupas, papéis, livros, poltronas, paredes - a casa inteira. Era o preferido dos bons macumbeiros, um charuto barato, de arquitetura imperfeita (se é que se podia chamar de arquitetura o seu tosco enrolamento) e de combustão tão deficiente que, em uma caixa de vinte ou vinte e cinco charutos, apenas uns oito, no máximo, podiam ser acesos corretamente e ter o seu fumo aspirado. Mas o sacrifício de tentar acender um charuto e jogá-lo fora, sucessivas vezes, era compensado quando afinal um deles comburia do princípio ao fim proporcionando um prazer inefável.
Evidentemente eu não fumava esse Pimentel negro na presença de outras pessoas. Lembro-me de que, em certa ocasião, fui almoçar com o Ruy Guerra, que estava interessado em filmar "O Cobrador", o que infelizmente não ocorreu por problemas ligados à cessão dos direitos autorais. Depois do almoço, saímos caminhando pelas ruas, eu com vontade de acender o meu charuto fedorento, mas não querendo ofender o olfato do Ruy, mesmo considerando que estávamos ao ar livre. Inesperadamente, Ruy me perguntou: "O fumo de charuto o incomoda? O meu é muito forte". Respondi que não. Então, Ruy sacou do bolso um genuíno Pimentel escuro. Imediatamente, tirei o que carregava no meu bolso e para felicidade nossa, os dois charutos arderam de maneira perfeita, enquanto caminhávamos calmamente e uma leve brisa tranqüilizava as nossas consciências.
Como disse, esse Pimentel negro acabou e talvez apenas eu, o Ruy e alguns velhos macumbeiros sintam falta dele. Passei a fumar uns puros baianos de boa qualidade, até que um dia fui convidado para ir a Cuba participar, como jurado, do Prêmio Casa de las Américas. (Já escrevi com mais vagar sobre essa viagem, falando do encanto do povo cubano e da riqueza cultural de Cuba, posso voltar a fazer o mesmo, em outra ocasião.)
Em Cuba, comecei a fumar os charutos cubanos. Quem gosta de charutos, depois de fumar um puro cubano não consegue fumar, com grande prazer, outro que não seja originário das terras de Vuelta Abajo. Nessa viagem, como na seguinte que fiz alguns anos depois, permaneci a maior parte o tempo em Havana, mas passei alguns dias, creio que uma semana, em Santiago.
"Iré a Santiago con la rubia cabeza de Fonseca", lembrei-me então. Em Santiago, me deram uma caixa de charutos Fonseca. Quando abri a caixa, lá estava, impressa a cores, na parte de dentro da tampa, a singular figura de um homem jovem com uma vasta cabeleira loura, o Fonseca de rubia cabeza, do poema. (Fumei muitos charutos Fonseca, mas confesso que não estão entre os meus preferidos, mas essa história fica para depois.)
Voltando para Havana, visitei a fabrica dos Fonseca, fundada em 1891. Nas primeiras décadas de 1900, os Fonseca eram muito apreciados na Espanha. Lorca devia conhecer o charuto, não sei se o fumava, mas certamente se impressionou com a figura da caixa. O poeta fala da rubia cabeza de Fonseca no poema "Som de negros em Cuba", que escreveu e recitou em Nova Iorque, por volta de 1930, quando estudava na Columbia University. Todos os poemas da coletânea "Poeta en Nueva York" estão entre os melhores do grande poeta. Lorca tinha um estilo admirável, como conferencista e recitador dos próprios poemas. "Som de negros em Cuba" teria sido escrito para ser cantado e bailado. Gostaria de ver um dia esse espetáculo.
O poema na íntegra numa tradução de William Agel de Melo (In Federico García Lorca, Obra poética completa, Editora UnB, 1996):
Quando chegar a lua cheia irei a Santiago de Cuba,
irei a Santiago
em um carro de água negra,
irei a Santiago.
Cantarão os tetos de palmeira,
irei a Santiago.
E quando quiser ser medusa o plátano,
irei a Santiago.
Irei a Santiago
com a loura cabeça de Fonseca.
Irei a Santiago.
E com a cor rosada de Romeu e Julieta
irei a Santiago.
Mar de papel e prata de moedas.
Irei a Santiago.
Oh, Cuba! Oh, ritmo de sementes secas!
Irei a Santiago.
Oh, cintura quente e gota de madeira!
Irei a Santiago.
Harpa de troncos vivos. Caimão. Flor de tabaco.
Irei a Santiago.
Sempre disse que iria a Santiago
em um carro de água negra.
Irei a Santiago.
Brisa e álcool nas rodas,
irei a Santiago.
Meu coral na treva,
irei a Santiago.
O mar afogado na areia,
irei a Santiago.
Calor branco, fruta morta.
Irei a Santiago.
Oh, bovino frescor de canaviais!
Oh, Cuba! Oh, curva de suspiro e barro!
Irei a Santiago.
Prefiro o tempo frio ao quente,
a hora marcada ao repente,
a noite escura ao dia,
barriga cheia à vazia,
Companhia à solidão,
cinzeiro a cinza no chão,
pinga da boa ou conhaque
do que um vinho de araque.
Quando fumar um charuto
Amigo atento ao astuto,
Que fale pouco e baixinho
Quero encontrar no caminho
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos.
As crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida.
Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas, não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.
Um dia, sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Aonde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?
Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de
obediência orgânica e desobediência civil.
E você quer que ela não apenas cresça, mas apareça!
Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos,soltos...
E lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros.
Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos.
Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.
Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres, agendas coloridas e discos ensurdecedores.
Não os levamos suficientemente ao parque, ao shopping, não lhes compramos todos os sorvetes que gostaríamos.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.
No princípio, subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos.
Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim.
Depois, chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os namorados.
Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes".
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível.
A autoria é de Affonso Romano de Sant'anna.
Caros amigos
Refaço e mando como crônica uma mensagem que enviei a um confrade, pois a
questão das restrições ao tabaco vem me incomodando. Tivemos mensagens
recentes a respeito, por conta das iniciativas repressoras em Nova York.
Caminhamos para uma nova Lei Seca? Agora, Lei Apagada?
Crônica de uma manhã de quarta
O corona Romeo e Julieta tirado do umidor no domingo foi aceso apenas ontem,
antes faltou aquele incentivo final subjetivo. Sempre me conforta a sensação
de que escolho o charuto em função de um momento que pode ou não rolar, e ser
deixado de lado até a ocasião propícia, se for o caso.
No domingo a pizza com minhas filhas se prolongou até bater um sono impossível
de vencer, ao qual me entreguei de bom grado. Na segunda, chegou a namorada de
uma temporada na Bahia, entre conversas e matação de saudades o Romeo foi para
escanteio. Na terça, depois de um Mojito, patê de shiitake e sopa de cebola,
finalmente chegou a hora do puro. Estava espetacular, mais forte do que o
normal, rico em terras e cacau, lindo no cinzeiro novo preto e laranja escuro,
para dois charutos, que comprei no Mundo Mix, uma feira de design e moda
alternativa esporádica (design de Lea, à venda na Ranieri).
Digo que me conforta a sensação de liberdade, pois a escolha, a espera da hora
certa, prova que o discernimento continua funcionando, não há compulsão, como
no caso do vício. Sempre alerta, fico: sofri como dependente de cigarro durante
vinte e tantos anos.
Aliás, isso prova que o vício é algo interno, um processo inconsciente, muito
mais do que resultado do consumo de determinada substância. Livre do vício do
tabaco, posso curtir o prazer do charuto. Por outro lado, tem gente que joga compulsivamente, vicia sem precisar de substância alguma. Ou vira alcoólatra,
drogado etc.
Fico pensando no caso de pessoas que gostam de bebida ou charuto, e concluo que
a ilegalidade prejudica a qualidade. Assumindo o ponto de vista do apreciador,
deixando de lado considerações sociais e jurídicas, poderíamos dizer que a
proibição dificulta a degustação de uma boa maconha ou cocaína, por
exemplo. As drogas acabam nas mãos dos traficantes e viciados, corrompendo a
polícia e os políticos. Essa postura moralista hoje ameaça também o cigarro
e o álcool. Fico imaginando um mundo em que fôssemos obrigados a comprar
charutos de péssima qualidade ou bebidas altamente duvidosas numa boca
qualquer, de alguém com as mãos sujas de sangue, para degustar escondido e
financiar a corrupção e o crime. Eu acabaria desistindo, por falta de produto
aceitável e considerações morais. Mas os dependentes continuariam a alimentar
um mercado sujo em todos os aspectos.
Por isso sinto vontade de fundar uma ONG. Algo do tipo Fumantes Contra o Vício.
Sem negar os danos que o tabaco provoca à saúde, queria defender o fumar
responsável, a qualidade dos charutos, a importância de uma atividade econômica
artesanal e principalmente o prazer. Na nossa sociedade o prazer é estimulado
de todas as formas, como recompensa jamais realizada ao consumo.
Contudo, desloca-se o prazer para a esfera do consumo. Basta consumir. Que o prazer
permaneça sempre adiante, para que se consuma cada vez mais, é a regra. Terra
de Marlboro, terra de frustrados. Rei dos dânaos, rei de nada, traduziu Augusto
de Campos no episódio da fúria de Aquiles, na Ilíada.
Acena-se com tudo, mas não se dá nada. Defender o
direito ao prazer, numa sociedade que promete sem entregar, e portanto vive na e
da hipocrisia, é fundamental. Na prática, nós, ardentes filhos do prazer,
somos encurralados na posição de quem defende algo errado, condenável. Mas não
é o tabaco ou o álcool que defendemos, e sim o direito ao prazer. Não o vício,
mas as delícias da vida. Acabamos deixando isso para as conversas com quem
temos afinidade. No entanto, a falsa idéia se propaga, o moralismo tacanho avança,
o conservadorismo impera, e vamos sendo expulsos como fumantes de mais e mais
lugares. Execrados, confundidos com os viciados. Tenho medo de estar me omitindo
numa questão política fundamental. Pensem nisso.
Abraços
Celso Nogueira
CRÔNICA RURAL de DURVAL FERREIRA
O fumo em corda e a
tradição do cigarro de palha.
Quando as caravelas portuguesas fundearam ao largo, frente a Porto Seguro,
depois de cruzarem o Atlântico na mesma rota da frota comandada por Pedro Álvares
Cabral, ao desembarcar nas praias baianas, a tripulação se confrontou com um
mundo novo e fascinante aos europeus. Índios nus, em completa inocência desde
os dias da criação, florestas, animais e aves nunca dantes avistadas e uma
particularidade instigante.
Os nativos exalavam fumaça
pelas ventas, depois de chuparem e inalarem o fumo queimado em grossos rolos de
um vegetal desconhecido.
Com muita calma, os índios
acompanhavam o movimento dos homens brancos em suas terras, fumando e expelindo
densas rodelas de fumaça, exprimindo na fisionomia o prazer de fumar. Ao vê-los
nessa espécie de êxtase tranqüilizante, os portugueses tomavam conhecimento
do que, nos dias atuais, se tornaria uma das mais prósperas indústrias do
mundo, a do fumo.
O aventureiro alemão Hans
Staden, que se tornou prisioneiro dos tupinambás; e conseguiu ser resgatado
antes de ser feito churrasco foi o primeiro a registrar, em livro publicado na
Europa, esse hábito de fumar. Em sua obra Arrojadas Aventuras no Século XVI
entre Antropófagos do Novo Mundo, ele descreve esse uso. O alemão narra como
os índios tratavam o tabaco, produto da terra, para fazer seus charutos que, a
seu ver, deliciavam os nativos. Colhiam no mato as folhas da planta,
deixavam-nas secar protegidas do sol, e as índias, depois, se encarregavam
de as enrolar, comprimindo-as em suas coxas com a palma das mãos, para produzir
o grosso cigarro.
Distinção pelo cheiro
O certo é que, das observações dos primeiros colonos portugueses e das
narrativas de Hans Staden aos dias hoje, pouca coisa mudou na fabricação do
fumo em corda. Apenas algumas engenhocas rústicas, de madeira, deram um caráter
industrial a essa atividade familiar, deixando de lado, claro, a moderna
tecnologia da fabricação de cigarros, cujo elo de ligação reside apenas no
tratamento do tabaco.
O cigarro de palha é único,
há cinco séculos, no Brasil, embora se saiba que índios americanos e
mexicanos também usavam o tabaco em seus cachimbos ou para mascar.
Na cidade de Tietê, interior
de São Paulo, a plantação e confecção do fumo em corda de Benedito
Medeiros, um dos produtores caseiros locais, pouco difere dos métodos dos índios
sul-americanos. No bairro de Pederneiras, nas plantações da família de
Medeiros e de seus vizinhos, medram mudas de tabaco forte, médio ou fraco;
dependendo da inclinação dos terrenos e qualidade do solo. São tipos que os
apreciadores sabem distinguir pelo cheiro e até pela avaliação visual. Sem
contar os que levam um bocado à boca, para sentir seu sabor. Agem como um enólogo
procede para verificar a qualidade do bom vinho.
As lavouras de fumo em Tietê
e cidades vizinhas, como Capivari e Cerquilho, seguem as regras usadas por
Benedito Medeiros. As plantações em leiras, em terrenos pedregosos e
inclinados, favorecem a qualidade buscada. A colheita deve ser feita
manualmente, folha por folha, com o cuidado para não rasgá-las; ensina o
produtor. Elas são levadas para a casa do produtor, para a fase de
destalamento, isto é, a retirada do talo central das folhas, também
manualmente, da mesma forma observando o cuidado para não feri-las.
As folhas vão sendo
empilhadas como se fossem notas de dinheiro ou como se empilham, um a um, pedaços
regulares de pano verde. O próximo procedimento é levá-las para secar,
naturalmente, no fumeiro, uma estufa rústica. Folha por folha, sobrepostas no
varal para aproveitar espaço, o que garante que o ponto exato de secagem nem
ressequidas, nem úmidas, explica Medeiros. E, mais importante, seu sabor será
exaltado pela fumaça da estufa de modo constante e em densidade correta.
Jorge Claudiner é outro
produtor de Tietê que herdou do pai a arte de cochar as folhas secas no
fumeiro. Isto é, enrolar manualmente folha sobre folha para ir formando o rolo,
ao mesmo tempo em que as espreme retirando um líquido viscoso e negro que
empapa suas mãos. É a mela, a substância liqüefeita a que se atribuem
efeitos medicinais usados até hoje pela gente do interior para combater
diversos males.
Erva santa
Aplicam o fumo em corda ou a mela em picadas de cobra, para neutralizar o
veneno; como ungüentos, para aliviar dor de cabeça e dor de dente; em pomada
feita com cachaça para combater sarna e bicho-de-pé; chás caseiros contra
lombrigueiro. Uma medicina caseira que tem respaldo nos resultados de experiências
centenárias pois, até hoje, agricultores procuram a mela do tabaco para
pulverizar plantações contra diversas pragas, em muitos casos bem sucedidas.
O que se observa é que a
notoriedade popular do tabaco, na medicina caseira, se justifica pela fama que
ainda tem nos dias de hoje de ser a erva milagreira, erva santa. Nos laboratórios
científicos, é conhecida como da família das solanáceas, planta herbácea ou
Nicotina tabacum, como registram os compêndios a respeito.
Com essa designação um
tanto pomposa, o fumo chegou a ser um dos produtos mais valiosos nos mercados
internacionais. Fabricantes de charutos, cigarrilhas e cigarros ainda se esmeram
em dar à confecção e embalagem de seus produtos um requinte à altura das
exigências de consumidores elegantes.
No fio do canivete
O fumo em corda não tem o refinamento desses produtos, como um puro de Habana.
Um cubano Romeo y Julieta em caixa de madeira de 25 unidades, por exemplo, custa
o eqüivalente a cerca de R$ 500 nas ruas de Havana e mais do que o dobro fora
de Cuba.
Despido de qualquer tipo de
elegância e simples como a gente do interior, o consumo de fumo em corda mostra
não ser abalado com a forte campanha contra o tabagismo. Talvez por ser muito
difícil derrubar a tradição do cigarro de palha, que chega a ser um ritual de
serenidade se enrolar um deles. A palha é alisada repetidas vezes com o fio do
canivete, até ser encontrada a textura conveniente ao fumante, que a guarda no
vão superior da orelha.
Igualmente tranqüilizante é
picar o fumo e juntar suas lascas na palma da mão, para serem trituradas pelo
polegar e a palma da outra mão. Depois, é só enrolar o cigarro, acendê-lo e
pitar sem pressa.
Admirando a paisagem,
filosofando e dando livre fluxo aos pensamentos, com a certeza de que o mundo não
vai acabar tão cedo.
Olhos
A palha é alisada com o fio do canivete. Igualmente tranqüilizante é
picar o fumo, juntar suas lascas na palma da mão e triturá-las com o polegar
Com muita calma, os índios acompanhavam os homens brancos em suas terras,
expelindo densas rodelas de fumaça, exprimindo na fisionomia o prazer de fumar.
Fonte: http://www.panrural.com.br/ver_noticia.asp?news_id=77
Crônica de um fumador de cachimbo
Nobres,
Apesar do tema central da lista ser o charuto, faço um paralelo à crônica do Celso e menciono a minha. Acho que vale a pena colocar aqui para vocês.
Ao amantes de cachimbo, talvez primo do charuto, quem vai saber ...
Ontem terça-feira, ao escurecer, saio de meu office, rumo à base.
Como é de costume, vai à minha mente, a ginástica diária, após o expediente, mas no entanto, o inesperado me cerca.
Chego em casa, sozinho, vejo que a vontade de sair para treinar fica no esquecimento. Coloco água para fazer o café e logo penso: -Vou é fazer fumaça aqui, mandar fogo no ap!!!
No quarto, local onde está meu umidor, abro-o. Olho para os charutos e eles, afoitos, parecem me pedir para sair de lá, dizendo:-fuma eu! não, fuma eu aqui! Não fuma eu que estou mais saboroso. Neste instante, inclino a cabeça mais para baixo da instante, até avistar o porta cachimbos.
Olho meu cachimbo, com aquela madeira escura reluzendo, totalmente "encerada", sem nenhuma marca de dedo e refletindo a luz em meus olhos. Ele me diz: - Não, hoje é meu dia! Sem recusar, pego-o e já encho com fumo de café, a primeira cachimbada, discreta e humilde, a segunda com um pouco mais de ânimo, a terceira, terrívelmente esfumaçada, é quando me dou conta que já estou num mundarel de fumaça.
A noite vai passando e eu com meu cachimbo, cachimbando!
Às vezes, me pergunto, qual o mistério da fumaça, que cerca esta peça tão inusitada? O cachimbo.
Só para constar, não cachimbava fazia 4 meses. Por isso, serei eu um viciado ou toxicomaníaco? Acredito que não. O momento fez aquilo.
Endossando as palavras do Celso, deixo com vocês, a busca individual pelo prazer.
Um abraço
Russo

Nobre cardápio crioulo das
primitivas jornadas,
Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado,
Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro
Te batizou de "Carreteiro", meu velho arroz com
guisado.
Não tem mistério o feitio
dessa iguaria bagual,
É xarque - arroz - graxa - sal
É água pura em quantidade.
Meta fogo de verdade na panela cascurrenta.
Alho - cebola ou pimenta, isso conforme a vontade.
Não tem luxo - é tudo
simples, pra fazer um carreiteiro.
Se fica algum "marinheiro" de vereda vem à tona.
Bote - se houver - manjerona, que dá um gostito melhor
Tapiando o amargo do suor que -
às vezes, vem da carona.
Pois em cima desse traste de
uso tão abarbarado,
É onde se corta o guisado ligeirito - com destreza.
Prato rude - com certeza,
mas quando ferve em voz rouca
Deixa com água na boca a mais dengosa princesa.
Ah! Que saudades eu tenho
dos tempos em que tropeava
Quando de volta me apeava
num fogão rumbeando o cheiro
E por ali - tarimbeiro, cansado de bater casco,
Me esquecia do churrasco saboreando um carreteiro.
Em quanto pouso cheguei de
pingo pelo cabresto,
Na falta de outro pretexto indagando algum atalho,
Mas sempre ao ver o borralho onde a panela fervia
Eu cá comigo dizia: chegou de passar trabalho.
Por isso - meu prato xucro, eu
me paro acabrunhado
Ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro
Desvirtuado por dinheiro à tradição gauchesca,
Guisado de carne fresca, não é arroz de carreteiro.
Hoje te matam à Mingua, em palácio
e restaurante
Mas não há quem te suplante,
nem que o mundo se derreta,
Se és feito em panela preta, servido em prato de lata
Bombeando a lua de prata sob a quincha da carreta!
Por isso, quando eu chegar,
nalgum fogão do além-vida,
Se lá não houver comida já pedi a Deus por consolo,
Que junto ao fogão crioulo,
Quando for escurecendo, meu
mate -amargo sorvendo
A cavalo nalgum tronco, escute, ao menos, o ronco
De um "Carreteiro" fervendo.
A marca do charuto???
San Paolo - Serie Especial, com um blend de fumos de 92, 93 e 2005.
O resultado do jogo??? Deu a lógica!!!!!!!
Canhoto
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