Um tour pela Bahia

Cesar Adames

         Para quem aprecia um bom charuto nada melhor do que conhecer o local onde eles são produzidos. Com este objetivo o Cigar Club, maior grupo de apreciadores de charutos do Brasil, realizou sua primeira viagem ao berço dos charutos nacionais, o Recôncavo Baiano. Veja como foi esta viagem em detalhes.

Jantar com os produtores – Após a chegada dos participantes a cidade de Cruz das Almas, onde estão localizadas três fábricas de charutos (Le Cigar, AA Julien Bahia e Josefina) o restaurante Sky Burguer foi o ponto de encontro entre os produtores e os participantes da viagem. Neste jantar estiveram presentes Arend Becker e Pedro Rodrigues da Le Cigar, Fernando Fraga da Chaba, Felix Menendez, Arturo Toraño e Joaquim da Menendez & Amerino, Ricardo e Rosivaldo da AA Julien Bahia e Daniel Schmidt, Osvaldo e César Araújo da Dannemann. Antes do jantar vários grupos se formaram para trocar informações enquanto degustavam uma cerveja gelada acompanhada de uma cigarrilha Palomitas. Para o jantar foram preparadas cinco mesas, uma para cada empresa e sorteado entre os participantes onde cada um iria sentar ficando dois participantes do Cigar Club em cada mesa com cada produtor. O cardápio do jantar foi carne de sol, picanha argentina, arroz, purê de mandioca e feijão verde. Para finalizar ocorreu a degustação dos charutos Brasil Autênticos (Torpedo e Robusto) que foram distribuídos para marcar a presença de Fernando Fraga e da Chaba no evento, pois o grupo não pode visitar a fábrica devido à distância e a extensa programação do dia seguinte.

Café da Manhã com Dom Lula – Apesar de Don Lula (André Dias) não poder estar presente devido a um acidente e estar em recuperação fomos muito bem recebidos pelo Ricardo e Rosivaldo que prepararam um café da manhã excelente com direito a Tapioca, bolos típicos e sucos. A nova fábrica da AA Julien Bahia que produz os charutos Quitéria, Dom Lula, Caravelas, Delectados e Don Porfírio está muito bem organizada. Cada participante foi convidado a fazer o seu próprio charuto com a ajuda das charuteiras mostrando para cada um a complexidade deste trabalho. No final da visita fomos presenteados com uma caixa personalizada alusiva a nossa viagem contendo seis charutos Quitéria e quatro Dom Lula.

Visita a Le Cigar – Muito próximo da fábrica da Julien Bahia fica a Manufatura Tabacaleira Le Cigar. Fomos recebidos pelo seu proprietário Arend Becker sempre  com seu sorriso aberto e simpatia que conquista a todos. A visita foi conduzida pelo gerente da fábrica, Pedro Rodrigues e pela chefe de produção que responderam várias perguntas e mostraram desde o recebimento do fumo até a elaboração dos charutos. Ainda foi possível visitar a câmara fria onde os charutos são congelados para evitar o lazioderma e logo em seguida o quarto onde eles ficam em bandejas descansando para depois serem embalados. Como lembrança da visita recebemos uma caixa de Le Cigar Collection contendo 16 charutos com os três formatos fabricados.

Dannemann a fábrica mais antiga do Brasil – Visitar a fábrica da Dannemann é voltar no tempo, pois esta foi a primeira fábrica de charutos do Brasil. Localizada em São Félix (20 minutos de Cruz das Almas) o antigo prédio deu lugar a um centro cultural onde ocorrem exposições e a Bienal de Arte onde vários artistas apresentam suas obras. No fundo do prédio a fábrica funciona atualmente com quatorze mulheres produzindo os charutos. Após um tour pela fábrica cada um dos visitantes foi convidado a produzir o seu charuto Dannemann Artist Line. Depois de pronto o miolo cada um fez um teste na máquina de fluxo para ver se o seu charuto poderia estar travado antes de colocar a capa. Felizmente a maioria passou no teste e voltou à linha de produção para colocar a capa e anel no charuto, embalando cada um em uma caixa especial.

Almoço na Pousada do Convento – A pousada do convento é um antigo mosteiro que foi transformado em hotel e fica em Cachoeira cidade que fica na frente de São Félix cortada pelo Rio Paraguaçu e que tem a ponte Don Pedro II com 119 anos como única forma de comunicação. Na pousada tivemos um almoço com Felix Menendez, Arturo Toraño, Joaquim e com nosso confrade Hugo Carvalho. Ao final da refeição foi degustado um charuto no formato Robusto com um blend especial que a Menendez & Amerino está desenvolvendo para 2005.

Visita ao armazém de fumo – É neste local na cidade de Conceição de Feira que o fumo é recebido, selecionado, fermentado e enfardado para posteriormente ser enviado a fábrica. Acompanhamos todas as etapas e vimos e sentimos nos olhos o processo de fermentação cuja liberação de amônia irrita o nariz e olhos impedindo uma permanecia mais demorada na sala de fermentação.

Fábrica da Menendez & Amerino – Atualmente a fábrica da Menendez & Amerino em São Gonçalo dos Campos é a maior fábrica de charutos do Brasil. Tivemos oportunidade de visitar todos os departamentos como a parte de caixaria onde são montadas todas caixas, elaboração das cigarrilhas (todo parte maquinada) e deposito de produtos. No final da visita fomos convidados para um Happy Hour com direito ao charuto Alonso Menendez Reserva Especial (uma raridade pois está fora de linha) e vinho do Porto Ferreira alem de receber uma caixa seleção Robusto com seis Robustos Aquarius, Alonso Menendez e Dona Flor na versões capa clara e capa escura. Foi um final de tarde que fechou com fecho de ouro um tour extremamente gratificante para todos.

De volta a Salvador – Depois da visita ao recôncavo retornamos a Salvador onde fomos direto para o hotel. O jantar de encerramento do dia foi no restaurante A Porteira no Dique do Itororó com vista para a Lagoa do Abaeté e suas imagens dos Orixás. Após degustarmos o prato mais famoso do restaurante a Carne de Sol com queijo de coalho e melaço de cana de açúcar tivemos a oportunidade de degustar com exclusividade o novo charuto fabricado pelo Tarek; o Delectados. A opinião de todos foi que o charuto terá um grande sucesso. É só aguardar para provar.

Sábado sem compromisso – Sem uma agenda apertada e horários rigorosos a serem cumpridos aproveitamos o sábado em Salvador da melhor maneira possível. Pela manhã fomos ao Mercado Modelo comprar algumas lembranças da Bahia, subimos no elevador Lacerda, não sem antes pagar R$ 0,05 que é o preço da passagem para chegar ao Pelourinho. Almoçamos no Restaurante Maria Mata Mouro que com seu jardim nos fundos manteve o grupo reunido por quatro horas com direito a boa comida, rum, café e charutos é claro. Tivemos também a oportunidade de contar com a presença de nosso confrade baiano Leonardo que se juntou ao grupo até o final da viagem. Na frente do restaurante fica a Tabacaria Rosa do Prado uma das mais tradicionais de Salvador.

Fim de tarde ensolarado – O fim de tarde foi no Bahia Design Center onde tivemos oportunidade de degustar o vinho Rio Sol produzido pelo pessoal da Expand. Ainda no Bahia Design Center fomos ao Bar do Trapiche onde entre Mojitos e cervejas vimos um magnífico por do sol.

Domingo para poucos – Como parte do grupo viajou na madrugada de domingo (Godofredo, Fabrício e Canhoto) e os demais se foram pela manhã (Marcos, Flávio e Kátia) os que ficaram (Álvaro, Alfredo, César e Patrícia) foram visitar o mercado do Rio Vermelho onde encontramos e compramos vários produtos (carne de sol, camarão seco, beiju, queijo de coalho). O nosso almoço foi no Restaurante Paraíso Tropical um local que fica fora do centro turístico mas tem uma das melhores comidas de Salvador. O prato pedido foi uma moqueca de Calapolvo (Camarão, Lagosta e Polvo) que leva mais de 40 ingredientes. O local é extremamente pitoresco e funciona numa antiga rinha de galos. O proprietário ainda cria os galos de briga e é possível visitar o local onde eles ficam.

A visita mais emocionante – Esta infelizmente foi casual e para poucos. Como algumas pessoas chegaram mais cedo em Cruz das Almas no primeiro dia fomos visitar a antiga fábrica de charutos Suerdieck que faliu em 1999 e que fica na frente do hotel onde estávamos hospedados. Atualmente a fábrica está abandonada e conta apenas com uma ou duas pessoas que ficam na antiga portaria. Tivemos a sorte de encontrar um ex-funcionário da fábrica que nos levou para um tour emocionante. Depois de cinco anos de abandono a fábrica esta totalmente a merce do tempo sem nenhum cuidado e se deteriorando a cada dia que passa. Nosso guia conseguiu descrever pelos locais que passamos como era o dia a dia da fábrica. Ele disse que seu maior sonho era ganhar na Mega Sena e comprar a fábrica para poder trazer ela de volta. Sem pessoas, sem charutos e sem degustação com certeza esta visita ficou na memória de que teve esta oportunidade.

2005 um novo grupo – Depois das visitas quando retornávamos para Salvador o grupo ficou com uma grande dúvida; quem se divertiu mais, nós ou os produtores? Esta pergunta ficou sem resposta pois ficou visível o carinho, a atenção e o prazer de todas estas pessoas que nos receberam. Com certeza eles estarão de braços abertos para o próximo grupo em Setembro de 2005.