Charuto é só para homens?

 

Linda Evangelista é uma das tantas mulheres
que exibem orgulhosamente seus puros


Até algum tempo atrás era muito comum nos Estados Unidos encontrar mulheres que fumavam publicamente seus charutos. 

Há registros de que a primeira-dama Dolley Madison não os degustava enquanto morou na Casa Branca, o que se explica por sua preferência em cheirar rapé.

Entretanto outra primeira-dama Rachel Jackson, era vista freqüentemente com um bom puro na boca, fumando ao lado do marido, Andrew Jackson, sempre perto da lareira. 

Certamente atribui-se a uma mulher a criação das anilhas que identificam os charutos. 

Conta-se que a poderosa czarina da Rússia Catarina, a grande, mandou envolver seus charutos em seda, para evitar que manchasse seus dedos, dando assim origem às anilhas.

Mentes preconceituosas e reacionárias, logo se prontificaram a criar um clima de terror contra esse hábito das mulheres fumarem charutos, sustentando serem anti-higiênicos e masculinos demais. "Mulheres devem fumar cigarros, que são mais femininos", argumentavam, alimentando um tabu que se revelou persistente por muitos anos. 

Em 1845, Wilhelm de Lenz, um nobre russo que visitava Paris, retirou-se intempestivamente de um recinto, simplesmente por não tolerar a visão da escritora George Sand fumando um charuto. 

Mais chovinista ainda era o general francês Galliffet que, ao ver uma mulher acender um charuto convidava-a para que fossem juntos visitar o banheiro masculino. Nessa época, com tantas restrições, apenas algumas corajosas damas ousavam acender um puro. 

Durante a revolução sexual dos anos 60 e 70 as mulheres que estiveram envolvidas na criação de uma nova imagem feminista aboliram totalmente a presença do charuto. 

Os ideais se revelavam contraditórios: as mesmas reformadoras sociais que diziam às imigrantes que estas precisavam tomar banho com mais freqüência, também as exortavam a evitar o fumo. 

Apesar do constante patrulhamento ideológico, algumas mulheres seguiam fumando seus charutos.

O cinema soube retratar bem o ideal das fumadoras. Uma das pioneiras foi Leslie Caron que apareceu no filme Gigi fumando seu puro. 

O diretor do filme Vincent Minnelli queria mostrar a mudança de personalidade da personagem, que após fumar o charuto tornava-se mais firme em relação aos demais protagonistas do filme. 

Outras atrizes seguiram a trilha de Caron: Candice Bergen, em O Canhoneiro do Yang-Tsé, Julie Andrews, em Vítor ou Vitória, e Marlene Dietrich, que protagonizou uma cigana que sempre estava com seu charuto na boca no clássico de Orson Welles, A Marca da Maldade

Mais recentemente no filme O Clube das Desquitadas, de 1996, as atrizes principais, Bette Midler, Goldie Hawn e Diane Keaton eram vistas constantemente segurando seus charutos. 

O hábito de fumar charutos talvez tenha sido adotado pelas mulheres pelo efeito que exercem sobre o sexo oposto, pois, para muitos homens, a visão de uma mulher que fuma charutos é irresistivelmente sensual, ou no mínimo pode ser o pretexto para o inicio de uma conversa. 

Da mesma forma, o charuto na mão de mulheres erradas também pode por fim em qualquer conversa. 

Nas mãos de Madonna ele foi utilizado para deixar embaraçado o apresentador David Letterman durante uma entrevista para seu programa.

O crescente número de jantares e eventos destinados àqueles que apreciam charutos (e entre esses se incluem muitas mulheres), mostra que elas avançam irresistíveis sobre as forças reacionárias que durante tanto tempo tentaram manter a exclusividade masculina. 

Embora estatisticamente o número de homens que fumam charutos ainda supere o das mulheres, existe uma boa possibilidade de que muito em breve, essas contas tenham que ser refeitas. 

Entre grandes fumantes do passado, incluem-se Greta Garbo, Bonnie Parker (da dupla Bonnie & Clyde), Mae West, Betty Davis e Marlene Dietrich. 

Hoje a lista aumentou consideravelmente e pode-se ver personalidades famosas com seus belos charutos na boca: Demi Moore, Jodie Foster, Drew Barrymore, Sharon Stone, Whoopi Goldberg, Linda Evangelista, Nicole Kidman entre muitas outras.

Entre as brasileiras, uma das fumantes mais antigas é a cantora Fafá de Belém que descobriu os charutos através do pai de sua filha Mariana, o saxofonista Raul Mascarenhas. Seu primeiro charuto foi um cubano o Montecristo No. 4 que foi sucedido por charutos brasileiros que comprava no Mercado Modelo em Salvador. Atualmente Fafá prefere o também cubano Montecristo No. 2 que sempre vem acompanhado de um cálice de vinho do Porto Vintage. 

Ainda falta muito para o Brasil chegar aos níveis de consumo dos Estados Unidos e Europa. 

O que importa realmente é que cada vez mais o charuto ganha status de complemento para uma boa refeição, boa bebida e bom papo, independente do sexo.


Demi Moore

Anne Archer

 

Batom e baforadas

Alguns exemplares que costumam agradar o sexo feminino

Em um universo dominado por Churchills, Robustos e Coronas, os charutos mais finos e longos tem no público feminino seu maior consumo.

Os exemplares cubanos de diâmetro mais fino e feitos a mão são muito difíceis de serem elaborados pois devem reunir um miolo com uma mescla de fumo, um capote que irá sustentá-lo e por fim a capa que dará o acabamento final.

Tudo isto em um cilindro que normalmente terá 11 mm de diâmetro e cujo peso pode ter três gramas.

Para um enrolador de charutos é muito mais fácil elaborar um Churchill, um Robusto ou um Corona, pois possuem um tamanho maior e não é exigida tanta habilidade como no caso dos mais finos.

Na linha de produção destes charutos em Cuba normalmente são as mulheres com suas mãos ágeis e delicadas que se encarregam de elaborar charutos mais finos e delicados.

Na produção de um charuto são necessários três tipos de fumo em seu interior para compor o miolo - o tabaco ligero que dará a força ao charuto, o volado que dará a combustibilidade e o seco que dará o aroma e equilíbrio.

Na elaboração de charutos mais finos o miolo é composto apenas de tabaco volado e seco tornando o sabor mais suave, e por isso, mais indicado para mulheres e iniciantes que aos poucos se familiarizam com esta arte, passando para os maiores.

É importante ressaltar que os charutos mais finos por serem mais longos têm uma tendência a apagarem com maior facilidade, o que não significa que sua qualidade esteja comprometida.

Isto ocorre normalmente porque o fumador não descobriu qual é o tempo necessário entre uma baforada e outra, bastando neste caso acender e continuar degustando.

Na grande variedade de formatos e tamanhos dos charutos cubanos os longos e finos são: Rafael Gonzáles Slenderellas, Gloria Cubana Medaille d`Or No. 3, Punch Ninfas, Cohiba Exquisitos, Rafael Gonzáles Cigarritos, Cohiba Panetellas, Ramon Allones Ramonitas, Punch Margaritas e Montecristo Joyitas.

 

 

Vuelva Abajo

Semi Vuelva

Partidos

Remedios

Oriente

Regiões dos "Puros".