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A ARTE
DE ELABORAR UM CHARUTO
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Cesar
Adames
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Nesta matéria do "Puros" você saberá como são elaborados os charutos feitos à mão, com todos os seus segredos e tradições. Inicia-se com a chegada dos fardos, que contêm as folhas envelhecidas por no mínimo três anos que serão utilizadas como capas. |
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As folhas são, então, classificadas de acordo com tamanho, textura e cor, que vai do castanho claro ao marrom escuro.
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Charutos:
a diferença entre fumá-los e degustá-los
Há uma diferença essencial entre "fumar" e "degustar" um
charuto. O primeiro ato refere-se a um mero vício pelo qual ignora-se
exatamente o que se deveria apreciar. A degustação, por sua vez, é o ato de
quem realmente gosta de tabacos, sabendo como entendê-los e apreciá-los.
Quase
como um rito, a degustação se compõe de um minucioso ciclo de sensações
através do qual pode-se desfrutar a qualidade de cada produto, envolvendo todos
os nossos sentidos: a visão, o tato, o olfato, o paladar e até mesmo a audição.
Pela visão percebe-se o âmbar da capa (a folha que envolve o charuto), sua
qualidade e feitura; com o tato, avaliamos a flexibilidade e a maciez, que
traduzem seu grau de vida; pelo olfato desvendam-se as notas de madeira, fruta
ou especiaria, liberadas durante a combustão; com a audição podemos saborear
a brasa em comunhão com o vegetal e, finalmente, pelo paladar, atinge-se a
sensação mais forte: o gosto, inigualável, do charuto.
Cada produto tem suas próprias características e cada característica merece
seu próprio momento de apreciação. Quem sabe apreciar um charuto sabe que
deve fazê-lo como uma ocasião especial, exclusiva, única.
O simples ato de fumar um charuto é praticamente um crime, enquanto que a
degustação, por sua vez, é uma grande arte: a busca das
finas nuances transformam o fumante em um gourmet de tabacos.
O GRANDE PARTAGAS
Tida como uma das
mais antigas marcas cubanas Partagás segue desde 1845 fazendo um dos
melhores charutos do mundo. Espanhol da Catalunha Don Jaime Partagas mudou
para Cuba com projetos de trabalhar na produção de charutos. Desde o início
pensava em ter sua própria fábrica e começou comprando pequenas plantações
de tabaco nas regiões de Vuelta Abajo e Semi Vuelta. Como não tinha
capital suficiente para produzir os charutos ia estocando as folhas que
produzia até que em 1844 um furacão destruiu a maioria das plantações
cubanas. Passado o vendaval Jaime Partagas era um dos únicos a ter
quantidade de fumo suficiente para atender a demanda, assim ficou mais fácil
para que em 1845 surgisse a Real Fabrica de Tabacos Partagas que até hoje
continua no mesmo endereço no número 520 da Calle Industria em Havana.
Seu estilo de trabalho influenciou para que a marca ganhasse prestigio e
em 1850 surge em sua fábrica um novo posto de trabalho, o leitor que
ficava lendo obras de Victor Hugo e outros grandes autores para os
torcedores (profissionais que fabricam charutos).
A inesperada morte de Jaime Partagas, encontrado morto em circunstâncias
misteriosas em uma de suas plantações em 1861 quase comprometeu o futuro
da fábrica. Seu filho José, que o sucedeu no negócio, não tinha o
mesmo talento para os negócios. Mesmo assim a marca ainda ganhou medalha
de ouro na Exposição Universal de 1878 em Paris. A empresa ia mal quando
José a vendeu para o banqueiro José Bances que logo após a vendeu
novamente para Ramón Cifuentes Llano e José Fernández, em 1900.
A família Cifuentes esteve no comando da fábrica até o triunfo da
Revolução Cubana em 1960 quando o governo estatizou todas fábricas de
charutos. Sem outra alternativa Ramón mudou-se para os Estado Unidos até
que em 1970 recebeu um convite da empresa General Cigars (detentora da
marca Macanudo entre outras) para produzir seus charutos
novamente
só que desta vez na República Dominicana.
A posse definitiva da marca ainda não foi definida e o fumante pode
encontrar nas tabacarias tanto o Partagas Cubano quanto o Dominicano. As
caixas são praticamente iguais e no anel somente a inscrição Habana ou
1845 identifica o Cubano do Dominicano.
Os mais expressivos puros elaborados em Cuba atualmente são: o Double
Corona Lusitanias, o Lonsdale 8-9-8, o Robusto Serie D No. 4. Na República
Dominicana se destacam o Lonsdale No. 10 e o Robusto de mesmo nome.
Quer se aprofundar no tema ou tirar alguma dúvida? Então fale com o autor da coluna, Cesar Adames. |
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