A ARTE DE ELABORAR UM CHARUTO
Cesar Adames
 

Nesta matéria do "Puros" você saberá como são elaborados os charutos feitos à mão, com todos os seus segredos e tradições.

Inicia-se com a chegada dos fardos, que contêm as folhas envelhecidas por no mínimo três anos que serão utilizadas como capas.

 

As folhas são, então, classificadas de acordo com tamanho, textura e cor, que vai do castanho claro ao marrom escuro.

 


Logo em seguida, os veios centrais da folha são eliminados, pois utiliza-se apenas meia folha para a produção da capa. Depois da classificação por cores, as folhas são agrupadas em maços e vão para caixas onde ocorrerá a fermentação, processo que refina ainda mais o sabor, eliminando as impurezas, nicotina e alcatrão.




Após esta primeira fermentação, as folhas saem das caixas e são movimentadas, permitindo que haja uma fermentação por igual.

 



Depois da fermentação, as folhas já previamente selecionadas por "blends" que darão as características de cada charuto são postas em quartos de cedro para que haja uma perfeita harmonização de aromas.



O operário (tabaqueiro) responsável pela elaboração dos charutos leva a mistura previamente separada e inicia o preparo do interior do charuto conhecido como miolo.




Depois de terminado o miolo, dependendo do seu tamanho final, é colocado em formas próprias e permanece prensado durante uma hora para adquirir sua forma final.


Dando continuidade ao processo de elaboração de um charuto vemos nesta etapa os tabaqueiros trabalhando lado a lado para dar continuidade ao processo de elaboração do charuto.





Um operário bem treinado chega a enrolar 35 charutos por hora usando um instrumento chamado de "chaveta" ou faca cubana que é utilizada para dar o corte na folha que servirá de capa.




Quando inicia a fase final colocando o miolo com a capa, a folha deverá ter os veios voltados para dentro e o acabamento final na ponta do charuto será feito com uma cola vegetal incolor e inodora.




O charuto pronto é composto de três partes:
miolo (3), capote (2) e capa (1).




Em maços de 50 unidades os charutos serão identificados por enrolador e enviados para o controle de qualidade.





Cada charuto é então inspecionado. Ele precisa passar pela verificação de diâmetro passando por um círculo de madeira sem estar folgado ou apertado demais.



Em caixas de cedro espanhol os charutos irão então descansar durante no mínimo três semanas para que os aromas da capa e do miolo entrem em combinação.



Como as teclas de um piano os charutos são então agrupados por cores, podem existir até 67 matizes diferentes, eles são agrupados então novamente em maços de 25 unidades.




O próximo passo é a colocação do anel que
irá identificar os charutos e colocá-los em
suas respectivas caixas.





O passo final é a degustação desta
obra de arte feita um a um manualmente.


Charutos: a diferença entre fumá-los e degustá-los

Há uma diferença essencial entre "fumar" e "degustar" um charuto. O primeiro ato refere-se a um mero vício pelo qual ignora-se exatamente o que se deveria apreciar. A degustação, por sua vez, é o ato de quem realmente gosta de tabacos, sabendo como entendê-los e apreciá-los.

Charutos - há uma grande diferença entre fumá-los e degustá-los.Quase como um rito, a degustação se compõe de um minucioso ciclo de sensações através do qual pode-se desfrutar a qualidade de cada produto, envolvendo todos os nossos sentidos: a visão, o tato, o olfato, o paladar e até mesmo a audição.

Pela visão percebe-se o âmbar da capa (a folha que envolve o charuto), sua qualidade e feitura; com o tato, avaliamos a flexibilidade e a maciez, que traduzem seu grau de vida; pelo olfato desvendam-se as notas de madeira, fruta ou especiaria, liberadas durante a combustão; com a audição podemos saborear a brasa em comunhão com o vegetal e, finalmente, pelo paladar, atinge-se a sensação mais forte: o gosto, inigualável, do charuto.

Cada produto tem suas próprias características e cada característica merece seu próprio momento de apreciação. Quem sabe apreciar um charuto sabe que deve fazê-lo como uma ocasião especial, exclusiva, única.

O simples ato de fumar um charuto é praticamente um crime, enquanto que a degustação, por sua vez, é uma grande arte: a busca das finas nuances transformam o fumante em um gourmet de tabacos.


O GRANDE PARTAGAS

Tida como uma das mais antigas marcas cubanas Partagás segue desde 1845 fazendo um dos melhores charutos do mundo. Espanhol da Catalunha Don Jaime Partagas mudou para Cuba com projetos de trabalhar na produção de charutos. Desde o início pensava em ter sua própria fábrica e começou comprando pequenas plantações de tabaco nas regiões de Vuelta Abajo e Semi Vuelta. Como não tinha capital suficiente para produzir os charutos ia estocando as folhas que produzia até que em 1844 um furacão destruiu a maioria das plantações cubanas. Passado o vendaval Jaime Partagas era um dos únicos a ter quantidade de fumo suficiente para atender a demanda, assim ficou mais fácil para que em 1845 surgisse a Real Fabrica de Tabacos Partagas que até hoje continua no mesmo endereço no número 520 da Calle Industria em Havana.

Seu estilo de trabalho influenciou para que a marca ganhasse prestigio e em 1850 surge em sua fábrica um novo posto de trabalho, o leitor que ficava lendo obras de Victor Hugo e outros grandes autores para os torcedores (profissionais que fabricam charutos).

A inesperada morte de Jaime Partagas, encontrado morto em circunstâncias misteriosas em uma de suas plantações em 1861 quase comprometeu o futuro da fábrica. Seu filho José, que o sucedeu no negócio, não tinha o mesmo talento para os negócios. Mesmo assim a marca ainda ganhou medalha de ouro na Exposição Universal de 1878 em Paris. A empresa ia mal quando José a vendeu para o banqueiro José Bances que logo após a vendeu novamente para Ramón Cifuentes Llano e José Fernández, em 1900.

A família Cifuentes esteve no comando da fábrica até o triunfo da Revolução Cubana em 1960 quando o governo estatizou todas fábricas de charutos. Sem outra alternativa Ramón mudou-se para os Estado Unidos até que em 1970 recebeu um convite da empresa General Cigars (detentora da marca Macanudo entre outras) para produzir seus charutos novamente só que desta vez na República Dominicana.

A posse definitiva da marca ainda não foi definida e o fumante pode encontrar nas tabacarias tanto o Partagas Cubano quanto o Dominicano. As caixas são praticamente iguais e no anel somente a inscrição Habana ou 1845 identifica o Cubano do Dominicano.

Os mais expressivos puros elaborados em Cuba atualmente são: o Double Corona Lusitanias, o Lonsdale 8-9-8, o Robusto Serie D No. 4. Na República Dominicana se destacam o Lonsdale No. 10 e o Robusto de mesmo nome.



Quer se aprofundar no tema ou tirar alguma dúvida?
Então fale com o autor da coluna, Cesar Adames.

 

 

Vuelva Abajo

Semi Vuelva

Partidos

Remedios

Oriente

Regiões dos "Puros"