
Logo que chegamos ao Palácio de las Convenciones recebemos um kit completo com uma pasta, caneta, camisa polo, chapéu, uma guilhotina e um isqueiro, só faltou mesmo o charuto.
Liberados dos tramites burocráticos fomos para Habana Vieja, parte central de Havana declarada patrimônio histórico mundial pela UNESCO.
Chegamos a La Plaza de La Catedral onde fica a Catedral de La Habana, igreja barroca que foi concluída em 1787 e onde seria a abertura oficial do evento.
Bem próximo dali fomos conhecer o famoso bar La Bodeguita Del Médio (Empedrado No. 207) onde se serve o famoso Mojito - drinque imortalizado pelo escritor norte-americano Ernest Hemingway.
No bar está exposto uma frase do mesmo que diz: - Mi mojito en la Bodeguita, my Daiquiri en la Floridita-.
Depois de alguns Mojitos fomos até o hotel Ambos Mundos (Obispo No. 153 esq. Mercaderes) onde Hemingway viveu durante os anos 30 e que até hoje tem o seu quarto aberto para visitação.
Para terminar a tarde fomos ao restaurante-bar La Floridita (Calle Monserrate, 557 esq. Obispo) conhecido como o templo mundial do Daiquiri (suco de limão, marrasquino, rum carta blanca e gelo frapê) e um dos melhores restaurantes especializados em mariscos do mundo. Hemingway tem um busto em bronze e o último banco do balcão com uma corrente separa-o dos demais pois era ali que ele se sentava todas as tardes para beber seu Daiquiri.
Depois de tanto beber e fumar ainda tínhamos pela frente a festa de abertura. Quando regressamos a Plaza de La Catedral quase não a reconhecemos pois foi montado uma estrutura com dois palcos e mesas para receber os mais de 500 participantes do evento, logo na entrada recebemos uma escultura de madeira que representava Cemi, o Deus do tabaco e que em seu interior continha um charuto Cuaba Salomon II (charuto no formato figurado feito especialmente para o evento).
A cerimônia de abertura contou com um ritual indígena de saudação ao deus do tabaco e a partir daí a festa continuou com um jantar e shows que mostravam a integração das culturas africana, espanhola e a mescla de outras com ritmos que iam da rumba ao cancioneiro campesino e danças típicas.
Ainda recebemos mais dois charutos, um San Cristobal de La Habana El Príncipe e um Rafael Gonzales Coronas Extra.
A
festa durou até o início da madrugada e voltamos para o hotel com a certeza de
que os próximos dias reservavam encantos ainda melhores.
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Uma feira de produtos e as fábricas que não se deve deixar de visitar
Refeitos da noite anterior fomos logo cedo para o Palácio de Las Convenciones
onde iria ser inaugurada a feira comercial que fazia parte do programa do
Festival.
A feira tinha cerca de 35 stands que representavam o universo que envolve o fumador de charutos: umidores, porta-charutos, cortadores, isqueiros, revistas, etc.
Um dos stands mais interessantes era o que representava o artesanato de Cuba, onde se podia ver uma fábrica de charutos em miniatura com todos os detalhes retratados com precisão (considerando que cada boneco valia US$ 35, preferi minha parte em charutos...).
Outra coisa interessante eram os umidores para até 50 charutos com formato de casas de secagem de tabaco.
O Brasil estava representado na feira no stand da Brascuba - uma sociedade entre a Souza Cruz e a UNETA (União das Empresas de Tabaco de Cuba) que está produzindo os cigarros Romeo y Julieta com fumo negro da região de Vuelta Abajo.
Além do RJ fabricam Hoyo de Monterrey, Vegas Robaina e o nosso já conhecido Hollywood.
Como a feira começou cedo saímos antes do almoço para passear e conhecer algumas fábricas de charutos.
No caminho para a fábrica da Partagás nos deparamos com um prédio enorme e até familiar.
Era o Capitólio, replica um pouco menor daquele que podemos encontrar em Washington, EUA.
O Capitólio Cubano chama a atenção pela riqueza de detalhes no prédio e por ter a terceira maior estátua coberta do mundo que representa a República Cubana.
No local funcionaram a Câmara e o Senado Cubano no período de 1929 a 1959.
A Real Fábrica de Tabacos Partagás fica atrás do Capitólio e data de 1845.
Em seu interior existe uma loja La Casa del Habano que é a que mais vende charutos no mundo. Abel Expósito é o gerente e nas paredes podemos ver fotos dele com Arnold Schwarzenegger, Jack Nicholson e Gerard Depardieu, entre outros aficionados famosos.
O fluxo de pessoas na loja é constante, pois além de ser a fábrica mais bem localizada é uma das únicas que permite a visitação do público em dois períodos, às dez da manhã e às duas da tarde.
Vale a pena a visita mas chegue cedo para poder conversar com Abel que é um bom papo e pode dar boas dicas sobre o que comprar.
Um pouco escondida, na rua de trás da fábrica Partagás, fica outra fábrica tão antiga quanto a primeira a H.Upmann que produz os charutos com o mesmo nome além dos Montecristo, Diplomaticos e Vegas Robaina.
O surgimento da fábrica tem origem na chegada de dois alemães a Cuba, os irmãos Hermann e August Hupmann que criaram a marca em 1844 e mudaram em 1920 para o prédio onde estão até hoje.
No fim da tarde os participantes do evento que tinham escolhido o programa Habanos Júnior embarcaram para Pinar del Rio onde na quarta-feira iriam conhecer as plantações de Vuelta Abajo, enquanto a outra parte do grupo que optou pelo programa Habanos Senior viajou para a praia de Varadero de onde sairia no dia seguinte para conhecer a fábrica de charutos de Villa Clara.





Tivemos que fazer uma opção entre a visita à plantação ou conhecer a fabrica de charutos em Santa Clara mais conhecida como Villa Clara.
Optamos por conhecer as famosas plantações de tabaco de Pinar del Rio (Vuelta Abajo), berço de nascimento de um puro Habano, e assim ter contato direto com a pessoa mais importante no processo de elaboração de um charuto: o agricultor.
Afinal, se as folhas não forem boas e em quantidade suficiente, nada de charuto pra fumar.
Visitamos uma vega de tabaco tapado que é como eles chamam uma plantação de tabaco utilizado para capa do charuto.
As plantações possuíam uma cobertura parecida com uma tela de gaze gigante e responsável por evitar o excesso de sol e chuva que poderiam deixar marcas na folha, segundo fomos informados pelos trabalhadores que já estavam começando a colheita manual, folha por folha.
Um charuto é composto de três estágios: miolo (interior do charuto), capote (folha que dá sustentação ao miolo) e capa (folha mais delicada que dá o acabamento final).
A variedade de semente que os cubanos utilizam para miolo e capote é conhecida como Criollo, e a variedade de capa como Corojo.
Cada folha destas chega a ter até 50 cm de comprimento e pode ser utilizada para enrolar charutos de tamanho grande como um Double Corona ou um Churchill.
O próximo estágio é a casa de secagem onde os agricultores ou campesinos, como são conhecidos, levam as folhas para que sequem naturalmente por até noventa dias.
Nestas casas de secagem mulheres recebem as folhas e com uma agulha gigante vão furando o caule da folha com um fio de naylon como se fossem colocar as folhas em um varal.
Quando completam cinqüenta folhas elas são distribuídas em um galho de madeira que será içado ao topo da casa de secagem que chega a ter até cinco metros de altura.
É impressionante ver como a folha chega a perder até 80% de seu volume pela desidratação e se altera de uma cor verde para um castanho claro.
Outra parada de nossa visita foi um galpão onde as folhas já secas são classificadas por tamanho, cor e colocadas em fardos para serem enviadas as fábricas.
Como ninguém é de ferro depois dessa visita sob um sol escaldante fomos recebidos com uma verdadeira fiesta guajira, com muito mojito e comida típica cubana. Mariquitas de Platano de entrada (banana chips frita e sal), Moros y Cristianos (arroz misturado ao feijão preto sem caldo) e lombo de porco defumado são a base de uma refeição cubana.
Isso tudo acompanhado de uma cerveja cubana Bucanero geladinha, não deixando a desejar a nenhum restaurante cinco estrelas.
Para
terminar, um puro local, charutos Veguero produzidos na fábrica Francisco
Donatién, única fábrica de charutos de Pinar del Rio. Isso que é atendimento
direto ao consumidor. Nessa hora, nem a Internet consegue ser tão rápida.





Combinações perfeitas e o encontro com a primeira-dama do charuto
No quarto dia de evento, fomos logo cedo para o Palácio de Las Convenciones
onde aconteceria um seminário sobre assuntos como Internet, venda de charutos,
distribuição através do segundo canal (isto é, em hotéis, restaurantes e
cafés) e harmonização de bebidas e charutos.
O último tema chamou a atenção de todos pela dinâmica utilizada: a parte teórica foi seguida de um almoço onde a prática foi posta em ação.
Seis sommelliers - dois cubanos, dois ingleses, um francês e um de Hong-Kong - fizeram a escolha de um charuto cubano que na opinião deles combinava melhor com cada tipo de bebida.
As combinações apresentadas foram: Charuto Vegas Robaina Únicos com um porto Vela Tawni 20 anos; Romeo y Julieta Churchill com Marc de Chablis Grand Cru 1982; Hoyo de Monterrey Epicure No. 2 com o Jerez Pedro Jiménez - Solera 25 anos; Partagas Lusitánias com o vinho Le Banyuls Chapoutier; Montecristo No. 1 com o Armagnac Chateau de Laubade 1982; e ainda, San Cristobal del Habana El Morro com rum Havana Club 15 anos.
Na hora do almoço tive a sorte dupla de sentar-me à mesa com Emília Tamayo, diretora da fábrica que produz os charutos Cohiba, e ter sido o primeiro a receber um Romeo y Julieta Churchill, cortado e acendido, das mãos do sommellier inglês que ainda serviu uma taça do Armagnac Marc de Chablis Grand Cru 1982.
Que combinação maravilhosa e marcante formaram o charuto, o Armagnac, e as curiosas histórias contadas por Emilia.
Como a fábrica de El Laguito ficava próximo do local do evento, fui convidado por Emília - a primeira mulher a assumir o posto de diretora de uma fábrica de charutos - para conhecer o local onde são produzidos um dos objetos de desejo de qualquer fumador.
A fábrica do Cohiba surgiu em 1966, e completa este ano 35 anos no mesmo local - uma antiga mansão inglesa onde em seus enormes quartos e salões são produzidos Lanceros, Esplendidos e Robustos.
Recentemente a fábrica recebeu a visita de um brasileiro ilustre: o ator Antonio Fagundes cuja novela o Rei do Gado estava alcançando índices altíssimos de audiência e popularidade.
Saindo da fábrica, fumando um Cohiba é claro, fomos visitar em Habana Vieja o Museu del Tabaco.
Logo na entrada pedras que eram utilizadas como moldes para os anéis dos charutos são utilizadas para decorar o local. Em seu interior caixas, anéis, umidores e outros objetos antigos dão uma idéia de como foi a história do charuto em Cuba.
Ao sair, nos deparamos com uma estranha forma de transporte local. O chamado "Camelo", espécie de ônibus/carreta puxado por um caminhão com espaço para 150 pessoas, foi a solução encontrada pelo governo cubano para a falta de transportes que tanto preocupava.
Várias atividades ocorreram em paralelo ao evento, como os concorridíssimos "coquetéis -fumadas" - reuniões em que se conjuga dois grandes prazeres: boa bebida e boa fumaça - nas principais tabacarias de Havana.
Na noite de quinta-feira fomos convidados para o coquetel da La Casa del Habano (franquia cubana com mais de 75 lojas ao redor do mundo) localizada no Club Havana onde o gerente, Henrique Mons, recebeu a todos com dois charutos especialmente elaborados para aquela noite.
Era a chave de ouro de um dia em que todos os sentidos foram postos à prova.





Despedidas e um leilão milionário
O último dia do Festival continuou com seminários
sobre como degustar um puro Habano.
Cada participante recebeu um charuto, cortador, isqueiro e uma ficha de avaliação para acompanhar um degustador profissional que mostrava os passos a serem seguidos para julgar as características e qualidades do charuto.
Outro tópico abordado, e de grande interesse, foi como reconhecer um Habano legítimo evitando as falsificações que são oferecidas nas ruas por preços que chegam até US$ 35.
Estes charutos são de péssima qualidade e às vezes nem fumo têm em seu interior. Comprar somente em lojas oficiais e exigir a fatura fiscal para poder passar pela aduana cubana sem problemas é a melhor forma de não trocar gato por lebre.
Terminado o seminário teve início a premiação dos expositores da feira comercial e encerramento oficial do evento pois grande parte dos participantes não iria estar presente no jantar de gala desta noite.
Esse evento já é uma tradição dos Festivais del Habano, onde os participantes pagam um preço alto pelo convite (US$ 500 por pessoa) para um jantar no qual o script é sempre o mesmo. Jantar, charutos diferenciados, leilão de umidores especiais, premiação do Homem Habano do Ano - nas categorias vendas e comunicação - e a presença garantida de Fidel Castro.
Neste ano o jantar foi realizado no salão Arcos de Cristal do Cabaret Tropicana, o mais famoso e luxuoso de Havana, e contou com a presença de 250 pessoas.
Os charutos servidos durante o jantar foram o Cohiba Siglo II, Cohiba Robusto e o Cohiba Gran Corona, este último com 24,5 cm de comprimento, feito exclusivamente para o jantar e para comemorar os 35 anos de aniversário da marca.
Uma das razões de um custo tão elevado pelo ingresso do evento é a de angariar fundos em benefício da saúde cubana.
Fidel sempre comparece ao jantar para assinar pessoalmente os umidores que são leiloados dando um valor agregado maior do que qualquer um pagaria pela peça em si. Sete lotes de umidores foram leiloados por Simon Chase, diretor de marketing da empresa Hunters & Frankau que comercializa os Habanos no Reino Unido.
O total arrecadado pelos sete lotes foi de US$ 607.500, um valor alto para caridade, mas um pouco abaixo dos resultados obtidos em anos anteriores.
Ao final do leilão, Fidel Castro subiu ao palanque e prometeu um breve discurso - que em anos anteriores chegou a ser de duas horas (!) - e se disse impressionado com os resultados, principalmente com o valor de US$ 17.500 obtido pelo chapéu do músico Compay - uma das estrelas do documentário Buena Vista Social Club que estava presente no jantar e em determinado momento do leilão colocou seu chapéu a disposição.
Segundo Fidel, somente com o valor do chapéu seria possível a compra de 50.000 vacinas para as crianças cubanas.
Finalizado o discurso, fomos embora com a memória de uma semana única
e com o desejo de retornar na próxima.
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- Lote No. 1 - Umidor em madeira talhada com motivo de folhas de tabaco contendo 100 charutos da marca Vegueros - 20 No. 1, 20 No. 2, 20 Marevas, 20 Seoanes e 20 Dalias. Andrea Molinari, presidente da empresa aérea italiana Lauda Air pagou US$ 25.000 pelo lote. |
| - Lote No. 2 - Outro umidor em madeira talhada com o brasão da marca Cuaba contendo 100 charutos - 20 Exclusivos, 20 Generosos, 20 Tradicionales, 20 Distinguidos e 20 Salomones, além de um isqueiro da empresa francesa S.T. Dupont com o desenho da marca foi adquirido por Faieq Alzayani por US$ 65.000. |
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- Lote No. 3 - Um móvel-umidor em estilo art-noveau com charutos Rafael Gonzales - 25 Lonsdales, 25 Panatelas Extra, 25 Petit Coronas e 25 Conicales que não eram fabricados desde 1970, foi comprado por Noelle Levy, distribuidora dos charutos cubanos na Suiça. |
| - Lote No. 4 - Foi doado pelo fabricante suíço de umidores Michel Perrenoud que produz peças de alta precisão e também alto custo. O umidor leiloado tem capacidade para 21 caixas de 25 charutos e continha 149 charutos em seu interior incluindo Cohiba Esplendidos, Trinidad Fundadores, Vegas Robaina Don Alejandro, Cuaba Exclusivos, San Cristobal de La Habana El Morro e Vegueros Seoane. O lote foi leiloado para um comprador não identificado por US$ 80.000. |
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- Lote No. 5 - Umidor elaborado totalmente artesanalmente em cedro que recria um palácio típico da arquitetura cubana de séculos passados. Continha 100 charutos da marca San Cristobal de La Habana, 25 de cada um dos seus quatro tipos: El Príncipe, La Punta, La Fuerza e El Morro. Foi adquirido por Samuel Menzi, proprietário da loja La Casa del Habano de Zurique por US$ 60.000. |
| - Lote No. 6 - Umidor em madeira negra com decoração em prata feito em comemoração à criação da marca Trinidad. Continha 124 charutos - 33 Fundadores (nome e único formato comercializado pela marca), 22 Laguito No. 1, 25 Robustos "A" e 33 Franciscanos. Acompanhava o lote um isqueiro S.T. Dupont da marca que foi adquirido pelo grego Mary Balli por US$ 90.000 |
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- Lote No. 7 - Este umidor foi feito exclusivamente para comemorar os 35 anos da marca Cohiba. Confeccionado em caoba e cedro com todos os acessórios em prata continha 160 charutos - 25 Gran Corona, 25 Piramides, 25 Espléndidos, 25 Robustos, 35 Lanceros, 5 Siglo I, 5 Siglo II, 5 Siglo III, 5 Siglo IV e 5 Siglo V. Cada um dos 35 Lanceros foi decorado com um anel de prata que reproduz o símbolo do índio que representa a marca. A empresa franco-espanhola produtora de charutos Altadis e que detêm 50% da Habanos S.A. pagou US$ 200.000 pelo lote. |
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Vuelva Abajo Semi Vuelva Partidos Remedios Oriente |
Regiões dos "Puros".