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Por Cesar Adames O gosto pessoal do fumador deve ser considerado durante a escolha da bebida para acompanhar um charuto
Fumar um charuto é um grande prazer, descobrir seus aromas e sabores, se perder na fumaça após cada baforada, tudo nos leva à reflexão e aproveitamento daquele momento em especial.
Uma boa bebida é sempre um complemento ideal para aumentar as sensações e o prazer das combinações possíveis. Tempos atrás uma revista nacional de gastronomia realizou uma degustação para verificar qual seria a melhor bebida que combinasse com o charuto.
As bebidas que fizeram parte da degustação foram; Xerez, Vinho do Porto, Single Malt, Rum e Cognac, consumidas nesta ordem, levando em conta seu teor alcóolico. Cada uma delas apresentou características interessantes quando combinadas com um charuto e o resultado final revelou um empate técnico entre o Rum e Cognac, que por terem um teor alcóolico mais elevado que as demais bebidas foram os preferidos nesta degustação.
Será que este resultado é o ideal? As possibilidades de combinação são inúmeras, tudo depende única e exclusivamente do gosto pessoal do fumador. As bebidas escolhidas para serem consumidas com charutos normalmente são as que foram utilizadas naquela degustação, mas não devemos esquecer de outras possibilidades que às vezes são colocadas em segundo plano como os licores, vinhos, bourbons e até mesmo alguns tipos de cerveja (normalmente as mais encorpadas). Liberdade para ousar é a única regra, bebidas que nem imaginamos combinar com os charutos podem nos surpreender.
Habano-Cognac: aliança perfeita
Apesar de estarem geograficamente a um oceano de distância, o Cognac e os Habanos (charutos cubanos) são originários de dois terrenos excepcionais, ricos em história e com uma experiência profissional única. Durante a manhã, na colheita ou na vindima, uma neblina idêntica vem proteger tanto as finas vegas de Vuelta Abajo, quanto os vinhedos de Cognac. As semelhanças entre os dois seguem durante a dupla fermentação das folhas de tabaco, que corresponde à dupla fermentação dos aguardentes que irão compor o Cognac. Duas técnicas desenvolvidas através de combinações sábias e secretas e que perseguem o mesmo objetivo: a harmonia de aromas. Esta cumplicidade continua na hora da degustação. Ambos exigem um ritual, aspirando a fumaça ou tomando um pouco do Cognac para reconhecer os sabores e preparar o paladar. Com tantas coisas em comum, os Habanos e o Cognac acabaram estabelecendo uma aliança histórica.
A BNIC (Oficina nacional interprofesional do Cognac) e a Associação Alliances Contact iniciaram contatos com a empresa cubana Habanos S.A. durante o último Festival del Habano (realizado em Cuba de 25 de Fevereiro a 1 de Março de 2002), para realizar uma parceria que será formalizada oficialmente durante o 2º Festival Cognac-Habano. Isso tudo foi resultado de um trabalho desenvolvido durante um ano na cidade de Cognac, onde 50 especialistas em degustação, maitres, destiladores e profissionais de restaurantes se esforçaram para encontrar alianças perfeitas entre os dois produtos. E felizmente esses casamentos perfeitos são muitos. Entre os charutos cubanos foram escolhidos Vegas Robaina (Clássicos, Famosos), Cuaba (Exclusivo, Divinos), Romeo y Julieta (Cedros de Luxe No. 2, Churchill) Hoyo de Monterrey (Hoyo des dieux, Double Corona), Cohiba (Esplendidos, Robustos), Montecristo (Especial, No. 2) e Partagas (Serie D 4, Churchill de Luxe). Os Cognacs foram AE. Dor (Reserve Cigar), Baron (Hors d`âge), Bisquit (Cohiba), Camus (XO Borderies), Courvoisier (Napoléon), Drouet (XO Cigar), Frapin (XO Vip), Gabreielsen (Hors d`âge), Girarud Paul (Très rare), Gourmel (Age des épices), Grateaud (XO), Guillon-Painturaud (Extra Vieux Pineau), Hawkins (XO Club Cigare), Hennessy (XO), Hine (Family Reserve), J.Dupont (Cigar Reserve), J.Fillioux (Cigar Club), Leónie (XO), Marnier (XO), Martell (XO Suprême), Meukow (Extra), Montifaud (Special Cigare), Otard (Extra), Ragnaud Sabourin (Alliance no. 35), Remy Martin (Extra) e Remy Tourny (Héritage). Os melhores resultados e alianças perfeitas foram conhecidos durante o 2º Festival Cognac-Habano, realizado em 20 a 23 de junho de 2002, na cidade de Cognac, França. Para os apreciadores dos dois produtos foi um evento único e extremamente marcante.
Combinação inusitada
Ao longo da história percebe-se que cada povo escolheu a sua bebida nacional a partir das matérias primas que dispunha para produzí-las. Assim, no Brasil colonial das imensas plantações de cana-de-açúcar, o povo criou a sua bebida, a Cachaça, por volta de 1532. Como se vê, as bebidas nacionais parecem refletir, de alguma forma, as condições ecológicas das regiões onde são produzidas, e isso as tornam perfeitamente adequadas ao clima, ao solo, ao próprio espírito do povo que as consome. Não é difícil perceber então, que a simplicidade da cachaça, suas qualidades organolépticas, sua capacidade de se adaptar aos sabor das frutas nas caipirinhas, batidas e coquetéis, sua possibilidade de se tornar remédio, através de infusões e macerações com as mais diversas ervas e raízes, fazem dela uma bebida que retrata profundamente o espírito alegre, descontraído e aventureiro do povo brasileiro que a criou. Mostrar a cachaça é mostrar a alma do povo brasileiro, com a sua mágica maneira de viver, num país de muito sol, sabor e temperos. A verdadeira cachaça nasceu nas montanhas de Minas Gerais, onde os cerca de 8.000 alambiques, produzem perto de 200 milhões de litros/ano e guardam segredos que começam no plantio da cana e passam pela colheita, a fermentação, a destilação em alambiques de cobre e o envelhecimento em tonéis de madeiras diversas como o Bálsamo, o Jequitibá, a Amburana, o Carvalho, o Jatobá, a Manduirana, o Ipê a Canela entre outras. A cachaça pode ser também uma excelente combinação para se fumar um charuto. A Carta de Cachaças, projeto desenvolvido em parceria pelo Belo Horizonte Othon Palace Hotel e a Loja Cachaças do Brasil (localizada no Espaço Cultural Bahia Shopping), especializada em cachaças artesanais, produziu em uma quantidade enorme de drinks com a colaboração com o barman Carlos Félix.
Confira abaixo alguns dos que se harmonizam perfeitamente com o charuto.
Romeu e Julieta Churchill com Cachaça Rainha das Gerais e licor Benedictine.
Montecristo com Cachaça Magia de Minas, licor de ervas finas, twist de laranja flambado. Dona Flor com Cachaça Bendita, licor de pêssego, Saint Remy e cereja.
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